Complexo Tapajós

Autor: 
Cesar Sanson
Professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Na surdina o governo vai levando adiante o plano de construir o Complexo hidrelétrico na bacia do Tapajós – o maior mosaico de biodiversidade do planeta. Embora menos comentado e debatido, o projeto é considerado ainda mais devastador do que Belo Monte. Para viabilizar o projeto, o governo publicou em janeiro uma medida provisória – convertida em lei em junho –, reduzindo as unidades de conservação nas áreas que serão atingidas pelas obras.

A construção do complexo de usinas na bacia do rio Tapajós, entre os Estados do Amazonas e do Pará, vem sendo arquitetada desde a década de 1980. O projeto foi retomado pelo governo faz quatro anos e prevê a construção de duas usinas: São Luiz do Tapajós e Jatobá. Originalmente o projeto previa cinco usinas.

A de maior impacto é a usina de São Luis dos Tapajós que será responsável por um custo ambiental ainda mais pesado do que Belo Monte e proporcional ao significado dos estragos de Itaipu na época da ditadura militar.

Prevê-se que a barragem terá 3,5 km de cumprimento e 39 metros de altura, o equivalente a um prédio de 13 andares e será erguida em uma das áreas mais protegidas da região: o Parque Nacional da Amazônia. Aproximadamente 1.370 quilômetros quadrados de florestas serão inundados pelo lago, uma área quase do tamanho da cidade de São Paulo, equivalente a duas vezes e meia a inundação que será causada pela hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. A obra atingirá ainda populações indígenas.

O anúncio do Complexo Tapajós deu origem em 2009 ao Movimento Tapajós Vivo que acusa o governo de “iminente sacrifício de 140 mil hectares de Floresta Amazônica no altar do PAC”. 

O Complexo Tapajós é mais um tributo à voracidade e insaciabilidade do modelo desenvolvimentista e mais uma confirmação da concepção ‘fordista’ de visão de mundo de que é refém o governo. Esse modelo assenta-se nas bases produtivista e consumista e investe pesadamente em matrizes energéticas centralizadoras e poluidoras (fósseis), perigosas (nuclear) ou devastadoras do meio ambiente (hidrelétricas). Destaque-se que o eixo energia, na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), registra R$ 55,1 bilhões em investimentos.

No “altar” do modelo desenvolvimentista está também o sacrifício do Código Florestal; a portaria 303 da Advocacia Geral da União – AGU; a PEC 215 e a citada Medida Provisória nº 558.