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Belo Monte

Após um ano de lutas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), as 400 famílias moradoras do bairro Independente 2, na cidade de Altamira, vão ser reconhecidas como atingidas pela hidrelétrica de Belo Monte e terem o direito ao reassentamento ou indenização. A conquista foi anunciada pela presidenta do Ibama, Marilene Ramos, durante reunião com as famílias na tarde desta quinta-feira (5 de novembro).

A Norte Energia conta os dias para dar início ao enchimento do lago da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Falta apenas que o Ibama libere a licença de operação.

Enquanto isso, mais de 400 famílias ainda vivem em área alagadiça na cidade de Altamira e o que é pior: sem previsão de serem removidas pela empresa. São os moradores do bairro Independente 2, que vivem numa área de lagoa, abaixo da cota 100 (altura utilizada como referência para a empresa para remoção das famílias).

O número de famílias por remover ainda era bastante alto naquela sexta-feira, 26 de setembro, em especial considerando que, na previsão da Norte Energia, no dia 15 de setembro o Ibama daria a licença de operação da hidrelétrica, autorizando o início da geração de energia.

Com medo de serem alagados com o enchimento do lago de Belo Monte, centenas de atingidos protestaram em frente à sede da Norte Energia em Altamira na manhã desta terça-feira (13 de outubro). São moradores do bairro Independente II e São Domingos organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Os moradores do bairro São Domingos foram cadastrados pela Norte Energia, ou seja, reconhecidos como atingidos e há quatro anos aguardavam serem removidos. Recentemente, souberam que não vão mais sair, pois a empresa não está removendo todas as famílias da cota 100.

Trocar experiências, estudar o modelo energético e construir uma pauta de luta das mulheres. Esses foram os objetivos do Seminário Mulheres da Amazônia, que reuniu 25 atingidas por barragens de seis regiões em Itaituba (PA) nos dias 2 a 4 de outubro. A atividade foi realizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Sofia está perdida naquele ambiente destroçado. Não tem mais as referências: a Peixaria da Graça, o Bar da Loura, a Geleira, as ruas da Amizade, da Esperança, da Concórdia, da Olaria, tudo virou pó.  É uma visitante que não sabe pra onde ir. O baixão, em Altamira, antes lotado de casa e de gente, agora é um deserto. Coisa brutal! Na sua mente, lembranças dos interditos proibitórios impostos a militantes do MAB por parte da Norte Energia. Um deles é preso na luta contra a privatização da água.

A presidenta Dilma Rousseff reconheceu que houve falhas na construção da hidrelétrica de Belo Monte. "Tem falha? Ah, não tenha dúvida que tem. Mas fato de ter falhas não significa que a gente vá destruir esse processo. Pelo contrário, temos de reconhecê-las e melhorar", afirmou a jornalistas neste domingo em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU.

Na terça-feira desta semana (21), o IBAMA publicou a negativa ao pedido de Licença de Operação para Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O órgão apontou 12 pendências, das quais 10 são impeditivas à liberação da  operação da usina.

Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) a negação da Licença foi uma conquista da luta popular, uma vez que as denúncias de atrasos e descumprimento no atendimento aos direitos dos atingidos foram fundamentais para a decisão do IBAMA.

Sem a licença, a usina fica impedida de encher o seu reservatório e, consequentemente, de iniciar a geração de energia.

A polícia militar deteve injustamente o militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Fabiano Vitoriano durante protesto na câmara municipal de Altamira. Os movimentos sociais estavam protestando contra projeto que prevê a privatização do serviço de água e esgoto na manhã desta terça-feira (15 de setembro).