Candonga

Havia um riacho lá pras bandas do Sertão que em época de chuva enchia muito. Os caminhantes e os moradores admirados com a cheia do riacho exclamavam “Como o riacho está Soberbo!” E o adjetivo passou a denominar o local. São Sebastião do Soberbo, onde os dias passavam tranquilos. As casinhas, construídas com muita peleja, se comunicavam pelas cercas que jamais eram vistas como barreiras à amizade da população. As frestas das janelas deixavam escapar risos e cochichos.

Os atingidos pela Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, também conhecida como Barragem de Candonga, construída no Rio Doce, entre as cidades de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata de Minas Gerais, entraram nesta terça-feira (08) com duas representações criminais no Ministério Público da Comarca de Ponte Nova contra os diretores do Consórcio Candonga, formado pela mineradora Vale e pela siderúrgica Novelis do Brasil, proprietárias da barragem.

 

Mais de 150 pessoas participaram de assembleia nesta quinta-feira. Vale e Novelis enfrentam ação na justiça por causa da diminuição de peixes no rio Doce.

Os atingidos pela usina hidrelétrica Risoleta Neves iniciaram nesse fim de semana um acampamento às margens da MG 123. O objetivo é denunciar a histórica violação de direitos e o rastro de destruição ambiental deixadas pela obra.

No dia 03 de maio de 2004, uma verdadeira operação de guerra mobilizou mais de 200 policiais militares fortemente armados para expulsar 14 famílias que resistiam sair de São Sebastião do Soberbo, povoado que foi inundado pelo lago da usina hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga. As famílias esperavam que a Vale e a Novelis elevassem os valores das indenizações, que houvesse recomposição das terras perdidas e que aceitassem as reivindicações para que as novas casas construídas no reassentamento Novo Soberbo respeitassem as exigências dos moradores.

Centenas de policias expulsaram violentamente 14 famílias que resistiam no antigo povoado. O objetivo foi favorecer as empresas Vale e Novelis