Complexo Tapajós

Manifestantes fecham a rodovia desde a madrugada e exigem o início de obras de instalação de energia elétrica nas comunidades do projeto de assentamento São Benedito.

As comunidades do projeto de assentamento São Benedito, no município de Itaituba, e demais comunidades decidiram montar acampamento na estrada para exigir a implantação do programa do governo federal “LUZ PARA TODOS”. A Celpa, distribuidora de energia do Pará, é responsável pela implantação.

O acampamento tem cerca de 150 pessoas das comunidades de São Benedito, São Jorge, Nova Integração, Monte Verde, Nova Esperança, Nova Olinda, Ramal União, São Manuel e Santa Luzia III.

Integrantes do Grupo de Trabalho que discute Empresas e Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) estiveram em Altamira neste domingo (13) para checar as denúncias de violações de direitos humanos provocadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou a exposição “Arpilleras Amazônicas: mulheres atingidas por barragens costurando direitos na Amazônia”, apresentando 16 arpilleras produzidas por atingidas de Rondônia e do Pará na Faculdade do Tapajós (FAT), em Itaituba, na noite de sexta-feira (2 de outubro).

As peças foram produzidas por mulhereres atingidas pelas barragens de Belo Monte (PA), Tucuruí (PA), Santo Antônio (RO) e Samuel (RO) e ameaçadas pelos projetos do Complexo Tapajós (PA) e Marabá (PA).

Trocar experiências, estudar o modelo energético e construir uma pauta de luta das mulheres. Esses foram os objetivos do Seminário Mulheres da Amazônia, que reuniu 25 atingidas por barragens de seis regiões em Itaituba (PA) nos dias 2 a 4 de outubro. A atividade foi realizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Na XI Assembleia Munduruku na aldeia Dace Watpu, em Itaituba, cerca de 400 lideranças das aldeias no alto e no médio curso do rio reafirmam a disposição de resistir às hidrelétricas

Após interditarem a BR 163, mais de 500 manifestantes montaram acampamento para reivindicar direitos como saúde, educação e pavimentação de rodovias

No início da madrugada desta terça-feira (08), 500 trabalhadores de diversas organizações populares interditaram a BR 163, corredor do agronegócio utilizado para transportar soja e milho da região amazônica para a Europa e demais países estrangeiros, e montaram o “Acampamento em defesa da Vida e do Território”.

“Com o motivo dessa barragem o pessoal fica na iminência de sair e não quer mais plantar, não quer mais produzir, fica com medo de investir e perder tudo. Muita gente está vendendo terreno. Eu não queria sair daqui. Quando cheguei aqui só tinha umas casinhas na primeira rua, pessoal viva da pesca, da caça, alguns ainda cortavam seringa.”

“Meu maior medo é que eu não me acostumo na cidade. Lá é aquela quentura, é ladrão, trânsito, tudo isso eu tenho medo. Aqui não, aqui eu estou sossegada, mas se sair a barragem vou ter que correr para lá no meio do sufoco. Eu sou filha da beira do rio, não consigo viver sem comer peixe. Aqui o costume é esse. Tem gente que acha sofrida a vida da gente, mas a gente gosta, a tranqüilidade vale muito.”

“A gente fica mais preocupada porque é mulher, tem os filhos... Às vezes a gente quer fazer uma benfeitoria na casa e fica pensando se faz ou não, tudo nos preocupa mais. Aqui tem pouco trabalho, mas tem o básico. Não vou dizer que dá pra viver 100%, mas a gente não quer que a barragem venha e leve tudo para o fundo.”

Erlani Azevedo Paiva, dona de casa, moradora da comunidade Pimental, ameaçada pelo complexo hidrelétrico do Tapajós