Complexo Tapajós

“As mulheres são as mais atingidas pela barragem, porque o homem qualquer emprego na cidade acha, agora as mulheres pra tudo têm que ter estudo. Não adianta nós sair daqui para ficar arrumando casa dos outros em Itaituba.”

Maila Cirla da Silva, dona de casa, “nascida e se criando” na comunidade Pimental, ameaçada pelo complexo hidrelétrico do Tapajós

 

 

 

 

 

 

 


“Alguns jovens da comunidade estão começando a se despertar, mas muitos ainda não entendem os danos que a barragem vai causar, nossa meta é que os jovens compreendam que isso não vai ser bom para a comunidade, que vamos perder nosso lugar, onde já temos uma história. A juventude vai sofrer se tiver que sair daqui sem nenhum conhecimento, vai acabar caindo no mundo da violência, das drogas.”

“A gente sente em sair porque aqui é um paraíso para nós, no tempo de sair vai precisar de médico, psicólogo... Só em saber que a gente vai ter que sair daqui eu choro, minha mãe também, para ela é muito difícil, ela só vai sair se vier a barragem, senão quer morrer aqui.”

Rosa Martins, dona de casa, moradora da comunidade Pimental, ameaçada pelo complexo hidrelétrico do Tapajós

 

“Vem uns homens de fora e alugam casa aqui na comunidade para trabalhar para as firmas [empresas contratadas pela Eletrobras para fazer as pesquisas da barragem]. Algumas meninas se envolvem com esses homens, tem mulher da comunidade que engravidou, já teve filho, e o homem foi embora, outras acabam indo embora com eles. A gente pergunta: será que pode fazer alguma coisa?

“Aqui a vida das mulheres é bastante sofrida, pois não tem uma renda, um estudo, a maioria é dona de casa, umas ajudam os esposos na roça, outras são domésticas. Precisava de um projeto que envolvesse essas mulheres para que saíssem mais da cozinha. Hoje os direitos são iguais, mas muitas mulheres ainda não sabem quais os seus direitos.”

Com a intimação, a Funai passa a pagar multa de R$ 3 mil por dia de descumprimento da decisão, a contar pelo dia 6 de agosto, quando a sentença deveria ser cumprida. 

A oficina “Direitos das Mulheres Atingidas por Barragens” aconteceu dos dias 31 de julho a 1 de agosto na cidade de Rurópolis, no Pará. Cerca de 15 mulheres se reuniram na comunidade São João Batista Km 122, no espaço da escola Monte Castelo.


A consulta já foi considerada obrigatória em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sentença exarada ontem (15) confirma consulta nos moldes da Convenção 169

Trinta mulheres de seis comunidades da região de Itaituba realizaram um encontro para discutir a violação dos direitos das mulheres devido aos grandes projetos na região do Tapajós. O encontro, ocorrido neste fim de semana (13 e 14 de junho) é o primeiro de uma série de oficinas que ocorrerão nas comunidades da região com o objetivo de construir a pauta de reivindicações das mulheres.

Após passar cerca de três anos fechada, a sede da delegacia da mulher de Itaituba começou a ser reestruturada na semana passada. Essa foi uma das reivindicações pautadas pelas mulheres dos movimentos sociais no último Oito de Março e é vista como uma conquista da luta.

“Todos os anos no Dia Internacional de Luta das Mulheres a gente faz uma manifestação e desse movimento sai uma carta. Esse foi o primeiro ano que protocolamos no Ministério Público, e tinha essa questão da delegacia que não estava funcionando”, conta Maria Antonieta, do Grupo de Apoio à Mulher Itaitubense (Gami).