Mariana

Conflitos socioambeintais e retrocessos nos marcos legais no Brasil: o caso emblemático da Bacia do Rio Doce

Moradores de Barra Longa convivem com poeira e doenças desde o rompimento. Nenhum centavo foi pago e nenhum acompanhamento efetivo feito. Mineradora cercou o local para esconder o desastre.

O feriado de 21 de abril é a data que homenageia o inconfidente mineiro Joaquim José da Silva Xavier, conhecido popularmente Tiradentes.

Além do reconhecimento de ação criminosa por parte da Samarco (Vale/BHP), Comissão da Câmara dos Deputados verificou diversas violações de direitos humanos ao longo da bacia do rio Doce

Na véspera do dia Mundial da Água, crime da Samarco contra o Rio Doce é apagado pela “Justiça”

Foto: Maxwell Vilela

Por Rafaella Dotta do Brasil de Fato

O depósito de R$ 1,2 bilhão, que deveria ser feito pela mineradora Samarco, está suspenso por tempo indeterminado. O valor serviria a ações de recuperação e reparação de danos socioambientais na bacia do Rio Doce, onde aconteceu o rompimento da barragem de Fundão na cidade de Mariana, em novembro de 2015. A data do pagamento já havia sido adiada três vezes.

Local do lançamento foi usado como cadeia e pelourinho para os escravos que trabalhavam na mineração

 “Só a luta vencerá a lama.” (Dom Geraldo Lyrio Rocha)

Nós, atingidos e atingidas por barragens, organizações sociais brasileiras e internacionais, reunidos neste dia 05 de novembro, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), viemos nos solidarizar e trazer o máximo de conforto e carinho para os familiares dos que morreram por causa do crime cometido pelo rompimento da Barragem de Rejeito da Samarco (Vale/BHP Billiton), um ano atrás.

Foi dada a largada na marcha dos atingidos pelo crime da Samarco (Vale/BHP Billiton). A atividade começou na manhã dessa segunda-feira (31), em Regência (ES), no local de encontro entre o rio Doce e o mar.

No estado são sete municípios atingidos, mas apenas quatro foram reconhecidos pela empresa criminosa. São eles: São Mateus, Jaguaré, Aracruz; e os reconhecidos são Baixo Guandu, Colatina, Linhares e Marilândia.

Pelo caminho contrário à lama, a marcha segue até Mariana (MG), onde será realizado o Encontro dos Atingidos da bacia do Rio Doce, entre os dias 2 e 5 de novembro.

O Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração realizou durante os dias 27 e 28 de outubro em Brasília o segundo seminário nacional para discutir os impactos socioambientais de grandes empreendimentos da mineração.

O Comitê Nacional foi criado para ser um espaço de discussão entre várias organizações sociais (sindicatos, cooperativas, movimentos populares, ONGs, etc) que atuam em defesa dos territórios e que são contra a violação dos direitos humanos a partir da implementação de grandes projetos na área da Mineração.