Mariana

Por Neudicléia de Oliveira, de Belo Oriente (MG)

Fotos: Leandro Taques

Junto com a lama tóxica, esparramada após o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco (Vale/BHP Billiton), veio a tristeza, a incerteza e principalmente um sentimento de impotência das famílias ribeirinhas que vivem às margens do Rio Doce.

Dona Nenê e Seu Deco dependiam basicamente do Rio Doce para sobreviver. Ele pescava, ela plantava. Com a contaminação do rio pela lama tóxica da Samarco, as comemorações do final de ano se tornaram trágicas para a família. 

O caos criado pela lama da Samarco desorganizou a cabeça de muita gente, e impõe reflexão. Pensamentos cristalizados em preconceito viram pó.

As empresas têm até 45 dias para apresentar um plano global de recuperação socioambiental da Bacia do Rio Doce e de toda a área degradada. Também deve ser apresentado um plano geral de recuperação socioeconômica para atendimento das populações atingidas pelo desastre, no prazo de 30 dias.

Todas as doações serão revertidas para um fundo destinado à sustentação do trabalho de base, organização, mobilização dos atingidos da barragem da Samarco (Vale/BHP Billiton), em defesa dos direitos e da natureza.

Nessa região, apesar da história já ter se repetido diversas vezes, muitos ainda insistem em esconder a farsa e nomear os crimes como tragédia.

Descendente dos primeiros habitantes da cidade de Resplendor, em Minas Gerais, a tribo indígena Krenak reúne uma das populações mais afetadas pelo lamaçal que invadiu as águas do Rio Doce, desde o rompimento da barragem da Samarco (Vale/BHP Billiton), ocorrido no dia 5 de novembro.

“Matar um animal da fauna silvestre dá cadeia, e matar uma Bacia inteira?”, questiona posicionamento da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

No final da tarde da última terça-feira, 15 de dezembro, mesmo dia em que o governo federal divulgou que a “Água do Rio Doce tem mesma qualidade de antes do rompimento de barragem”, atribuindo a morte de peixes somente à diminuição da quantidade do oxigênio na água, o Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (GIAIA) também divulgou seu laudo: manganês, arsênio e chumbo em excesso foram detectados ao longo do Rio Doce nos locais atingidos pelos rejeitos.

“Ela me pediu que eu apresentasse um laudo médico que provasse que eu não tenho força para torcer a roupa. Eu tenho osteoporose, tomo vários remédios”, conta surpresa a idosa.