Mariana

“Matar um animal da fauna silvestre dá cadeia, e matar uma Bacia inteira?”, questiona posicionamento da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

No final da tarde da última terça-feira, 15 de dezembro, mesmo dia em que o governo federal divulgou que a “Água do Rio Doce tem mesma qualidade de antes do rompimento de barragem”, atribuindo a morte de peixes somente à diminuição da quantidade do oxigênio na água, o Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (GIAIA) também divulgou seu laudo: manganês, arsênio e chumbo em excesso foram detectados ao longo do Rio Doce nos locais atingidos pelos rejeitos.

“Ela me pediu que eu apresentasse um laudo médico que provasse que eu não tenho força para torcer a roupa. Eu tenho osteoporose, tomo vários remédios”, conta surpresa a idosa.

No final da tarde de segunda-feira (14), moradores do distrito de Mascarenhas, no município de Baixo Guandu (ES), foram impedidos pela Samarco (Vale/BHP Billiton) de participar de uma reunião que estava programada para acontecer na comunidade.

A lama tóxica que invadiu o Rio Doce com o rompimento da barragem da Samarco (Vale/BHP Billiton) no dia 5 de novembro, atualmente rodeia uma extensa faixa litorânea do Espírito Santo e tem gerado uma onda de indignação nos capixabas.

Durante o encontro organizado pelo Ministério Público de Minas Gerais, que contou com a presença dos representantes da ONU Pavel Selvanathan e Dante Pesce, atingidos da cidade de Barra Longa e dos distritos Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Pedras, Ponte do Gama e Campinas, pertencentes à Mariana, denunciaram as violações de direitos humanos e a morosidade da Samarco para resolver problemas básicos e imediatos.

Com a economia local baseada na pesca, moradores de Baixo Guandu (ES) relatam o drama decorrente da contaminação do Rio Doce.

Desde o rompimento da barragem da Samarco, os 280 mil habitantes do município mineiro de Governador Valadares encaram diariamente a luta pela água potável.

Na última segunda-feira (7), membros do Grupo de Trabalho da ONU que discute Empresas e Direitos Humanos desembarcaram no Brasil para apurar denúncias de violação de direitos humanos; Mariana (MG) e Altamira (PA) fazem parte da rota de visitas.

Um mês após o rompimento da barragem da Samarco, ex-moradores voltam às ruas do distrito de Mariana (MG) que foram encobertas pela lama.