Mariana

Quando a lama das barragens da Samarco (Vale/BHP Billiton) chegou à sede do município de Barra Longa, eram por volta de 2h, ou seja, quase 10 horas após o rompimento. Ainda assim, os moradores foram pegos de surpresa. Em depoimentos, eles contam que a empresa não informou à população dos riscos e nem prestou socorro para a remoção das famílias.

A mineradora vem querendo saber de tudo, um que outro fica mudo: assunta daqui e de acolá, acha aquilo esquisito sem saber no que vai dar a promessa de progresso que está para chegar, esmola quando é demais até santo desconfia, e mineirice é assim: já nasce desconfiada, mas a empresa é ardilosa, vai e vem mais sorridente, abusa da inocência do povo trabalhador, usa a licença prévia pra invadir outras terras, e quando ganha na mansa a licença de instalação, as máquinas fuçam o chão na fome do capital, procurando a tão sonhada licença de operação, mais valiosa que o ouro...

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou hoje uma audiência pública sobre o rompimento das barragens da Samarco (Vale/BHP Billiton) na cidade de Mariana. Na ocasião, os atingidos pela lama e integrantes da coordenação do MAB reforçaram a importância dos próprios atingidos serem protagonistas do processo e apresentaram suas reivindicações.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) cobrou do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, o comprometimento na reconstrução da Bacia do Rio Doce, profundamente impactada pelo rompimento da barragem da Samarco (Vale e BHP Billiton).

O diálogo aconteceu em reunião na manhã desta segunda-feira (16) no Centro Pastoral da Arquidiocese de Mariana. A reunião também contou com a presença de representantes da Arquidiocese e da presidenta do Incra, Maria Lúcia Falcón.

Os primeiros 300 mil litros de água enviados a Governador Valadares pela Vale estão contaminado por querosene e são impróprios para consumo


Por Juliana Baeta e Bruna Carmona, do portal O Tempo

Nesta quinta-feira (12), a integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Alex Sandra Maranho, e o arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, encontraram-se com a presidenta Dilma Rousseff em Belo Horizonte, capital mineira. Também estavam presentes o prefeito de Mariana (MG), Duarte Júnior, e o governador do estado, Fernando Pimentel.

Doações eleitorais da empresa que controla Samarco “explodem”. Metade vai para PMDB, partido que controla mineração no governo.

Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Alex Sandra Maranho, conta que empresa não se preocupou com a vulnerabilidade dos moradores da região afetada pelo rompimento das barragens.

Em frente ao prédio da mineradora, manifestantes rejeitaram hipótese de apenas acidente.

Sofia repara a foto do povoado de Miguel Rodrigues, o ‘antes’ e o ‘depois’, pensa no futuro e sente um calafrio. Procura um canto pra sentar-se. Num segundo, toda ela se concentra naquela imagem, apesar do caos ao seu redor. É desolador! Antes as casas, as ruas, as edificações comunitárias, equipamentos de políticas públicas, muitas árvores e, principalmente, pessoas. Agora aquela cratera enorme, imensa, avermelhada, de sangue sugado e explorado, rastro da destruição provocada pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém, da Vale e BHP Billing (australiana), as duas primeiras gigantes do setor minerário no mundo todo, provocando o maior desastre ambiental da história de Minas Gerais.