Mariana

Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Alex Sandra Maranho, conta que empresa não se preocupou com a vulnerabilidade dos moradores da região afetada pelo rompimento das barragens.

Em frente ao prédio da mineradora, manifestantes rejeitaram hipótese de apenas acidente.

Sofia repara a foto do povoado de Miguel Rodrigues, o ‘antes’ e o ‘depois’, pensa no futuro e sente um calafrio. Procura um canto pra sentar-se. Num segundo, toda ela se concentra naquela imagem, apesar do caos ao seu redor. É desolador! Antes as casas, as ruas, as edificações comunitárias, equipamentos de políticas públicas, muitas árvores e, principalmente, pessoas. Agora aquela cratera enorme, imensa, avermelhada, de sangue sugado e explorado, rastro da destruição provocada pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém, da Vale e BHP Billing (australiana), as duas primeiras gigantes do setor minerário no mundo todo, provocando o maior desastre ambiental da história de Minas Gerais. 

Em coletiva de imprensa, realizada nesta segunda-feira, 9 de novembro, o arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que a Arquidiocese está ao lado dos atingidos pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém.

Após a tragédia, caso a lama permaneça “onde está, naquela região por muito tempo não vai nascer nada, não vai se plantar nada. O rejeito anda pode assorear a calha dos rios”, conclui professor da UFRJ.


Por Nadine Nascimento, do Brasil de Fato

Foto: Ísis Medeiros

Dom Geraldo afirma que a empresa precisa reassentar todas as famílias e convocou todos a lutarem coletivamente.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso disse ainda que a fiscalização ambiental precisa deixar de ser realizada pelo Estado e passar a ser responsabilidade da iniciativa privada.

Confira o dossiê completo elaborado pelo MAB sobre o rompimento das barragens da mineradora Samarco, pertencente à Vale e BHP Billiton, que causaram uma “tragédia anunciada” em Mariana (MG).


Distrito de Bento Rodrigues em Mariana (MG) soterrado pela lama - Foto: Douglas Magno/O tempo

Negligência que resultou no rompimento de duas barragens controladas pelas gigantes globais da mineração Vale e BHP foi a causa do grande desastre na região de Mariana, região central de Minas Gerais

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) continua acompanhando a situação das mais de 2 mil pessoas atingidas pelo rompimento de duas barragens de rejeito mineral na cidade de Mariana, região central de Minas Gerais, de propriedade da Samarco Mineração S.A, empresa controlada pelas gigantes Vale e BHP Billiton, as maiores mineradoras do mundo.

Foto: Douglas Resende e Rafael Lage