Mulheres

“A gente fica mais preocupada porque é mulher, tem os filhos... Às vezes a gente quer fazer uma benfeitoria na casa e fica pensando se faz ou não, tudo nos preocupa mais. Aqui tem pouco trabalho, mas tem o básico. Não vou dizer que dá pra viver 100%, mas a gente não quer que a barragem venha e leve tudo para o fundo.”

Erlani Azevedo Paiva, dona de casa, moradora da comunidade Pimental, ameaçada pelo complexo hidrelétrico do Tapajós

 

“Alguns jovens da comunidade estão começando a se despertar, mas muitos ainda não entendem os danos que a barragem vai causar, nossa meta é que os jovens compreendam que isso não vai ser bom para a comunidade, que vamos perder nosso lugar, onde já temos uma história. A juventude vai sofrer se tiver que sair daqui sem nenhum conhecimento, vai acabar caindo no mundo da violência, das drogas.”

“Vem uns homens de fora e alugam casa aqui na comunidade para trabalhar para as firmas [empresas contratadas pela Eletrobras para fazer as pesquisas da barragem]. Algumas meninas se envolvem com esses homens, tem mulher da comunidade que engravidou, já teve filho, e o homem foi embora, outras acabam indo embora com eles. A gente pergunta: será que pode fazer alguma coisa?

“Aqui a vida das mulheres é bastante sofrida, pois não tem uma renda, um estudo, a maioria é dona de casa, umas ajudam os esposos na roça, outras são domésticas. Precisava de um projeto que envolvesse essas mulheres para que saíssem mais da cozinha. Hoje os direitos são iguais, mas muitas mulheres ainda não sabem quais os seus direitos.”

Tristeza, indignação, revolta e nojo. Foi isso que nós, mulheres atingidas por barragens, sentimos ao ver o anúncio do adesivo misógino que utiliza a imagem da presidenta Dilma Rousseff.

O tal adesivo ofende não apenas à presidenta, mas sim a todas nós mulheres. Ele incita a violência contra as mulheres, ao considerar o estupro uma forma “bem humorada” de protesto político. Agride a todas nós por reforçar que nossos corpos são um objeto e de modo especial agride as mulheres que ousam fazer política – um espaço do qual historicamente somos impedidas de participar.

Trinta mulheres de seis comunidades da região de Itaituba realizaram um encontro para discutir a violação dos direitos das mulheres devido aos grandes projetos na região do Tapajós. O encontro, ocorrido neste fim de semana (13 e 14 de junho) é o primeiro de uma série de oficinas que ocorrerão nas comunidades da região com o objetivo de construir a pauta de reivindicações das mulheres.

Após passar cerca de três anos fechada, a sede da delegacia da mulher de Itaituba começou a ser reestruturada na semana passada. Essa foi uma das reivindicações pautadas pelas mulheres dos movimentos sociais no último Oito de Março e é vista como uma conquista da luta.

“Todos os anos no Dia Internacional de Luta das Mulheres a gente faz uma manifestação e desse movimento sai uma carta. Esse foi o primeiro ano que protocolamos no Ministério Público, e tinha essa questão da delegacia que não estava funcionando”, conta Maria Antonieta, do Grupo de Apoio à Mulher Itaitubense (Gami).

Cerca de 200 mulheres tomaram as ruas de Itaituba para denunciar a violência contra as mulheres no contexto de ameaça de construção do complexo hidrelétrico Tapajós. 

As mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) apresentaram seu trabalho com as arpilleras em evento da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Altamira, na noite dessa quinta-feira (5 de fevereiro). A apresentação aconteceu na abertura do lançamento do livro “Mobilização social na Amazônia – A luta por justiça e por educação”.

No último dia 11, mulheres ameaçadas pela Barragem de Berizal, no norte de Minas Gerais, participaram de encontro no município de Indaiabira. A atividade é um projeto que esta sendo desenvolvido em todo o Brasil para reproduzir as experiências das mulheres ameaçadas e atingidas por barragens, retratando, principalmente, o processo de violações dos direitos causados nas construções de barragens.