Plataforma Operária e Camponesa para Energia

Nos próximos anos vencem as concessões, ou seja, o direito de uso por parte das empresas, de praticamente 20% do parque gerador brasileiro, assim como cerca de 80% das linhas de transmissão e de mais de 49 empresas distribuidoras, o que representa 35% do total da energia comercializada no país e envolve negócios na ordem de 30 bilhões de reais por ano.

Estão em curso no Brasil duas tentativas muito bem orquestradas para privatizar o serviço de água e saneamento e também o que resta de controle público no setor de energia elétrica.

Por Eduardo Sales de Lima, do Brasil de Fato

A Fiesp tem razão quando diz que o preço da luz é um “roubo” no Brasil. Mas quem pressionou pela implementação desse modelo foram seus próprios filiados, o próprio setor privado.

“Eles disseram que se privatizasse o setor melhoraria a qualidade do sistema elétrico brasileiro e o resultado foi o contrário: o preço aumentou e diminuiu a qualidade do serviço”, afirma Gilberto Cervinski, coordenador do MAB.

Campanha da Fiesp pelo “preço justo” da conta de luz traveste o desejo de privatização do setor energético. São 112 concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Até o fim deste ano o governo federal terá de optar: prorrogação ou leilão.

Por décadas grande parte do mundo apostou em uma doutrina política que pregava que o mercado por si só daria todas as respostas e salvaguardas necessárias para um crescimento duradouro, o chamado neoliberalismo.  Atualmente, o debate posto na sociedade brasileira sobre a renovação ou não das concessões do setor elétrico vem acontecendo em um momento de grandes transformações sociais e econômicas, em especial na Europa e Estados Unidos, onde a crise deste modelo deixa amostra a sua ineficiência, já que ausência de um Estado forte tem levado essas economias a uma profunda depress

Cerca de 70 pessoas, membros de diversas organizações sociais do campo e da cidade, participaram nos dias 17 e 18 de agosto de mais um Seminário da Plataforma Operária e Camponesa da Energia em Minas Gerais, agora realizado na cidade de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. O evento também é parte da Jornada de Lutas promovida pela Via Campesina neste mês de agosto.

Aconteceu nesse fim de semana (11 e 12 de junho) o 1º Encontro Estadual da Plataforma Operária e Camponesa, em Belo Horizonte. O evento, organizado pela Assembleia Popular (AP), trouxe a discussão sobre a questão energética no estado de Minas Gerais e no Brasil, além dos altos preços da tarifa de gás, energia, água e transporte.

MAB propõe ao governo criação de comissão para debater mudanças na política energética

 

O Movimento participa de audiência com a Secretaria Geral da Presidência, em Brasília, para discutir a Plataforma Operária e Camponesa para Energia. Na quinta-feira (2), o MAB se reuniu com o governo para discutir medidas estruturantes para garantia dos direitos dos atingidos por barragens.