Sobradinho

Após 18 dias de ocupação, atingidos deixaram as torres de telefonias com a promessa de uma reunião na próxima segunda-feira com as empresas, intermediada pelo governo do estado da Bahia.

Atingidos pelas obras da hidrelétrica, que atende 15% da região Nordeste, começaram a ser deslocados de suas casas em 1976, durante a ditadura militar.


por Guilherme Weimann e Marta Rodrigues, do Brasil de Fato

As comunidades de Poço do Angico e Mergueira, no município de Sento Sé (BA), atingidas pela Usina Hidrelétrica Sobradinho, conquistaram o direito à energia elétrica após 39 anos.

Em ação inédita, barragem de Sobradinho terá passivo social quantificado e resultado pode gerar política pública para região  

“Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé

Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir

Debaixo d'água lá se vai a vida inteira

Por cima da cachoeira a gaiola vai subir

Vai ter barragem no salto do Sobradinho

E o povo vai-se embora com medo de se afogar.

Para amenizar os efeitos da seca na região, o MAB está desenvolvendo inúmeras ações, dentre elas a de convivência com o semiárido, buscando a efetivação de politicas públicas que garantam os direitos fundamentais para a condição humana.

A mesa de debates "Terra e território: grandes empreendimentos e seus impactos no Vale do São Francisco", ocorrida na tarde desta terça-feira, 5 de junho, no auditório da Câmara de Vereadores de Sobradinho, interior da Bahia, deu continuidade ao I Seminário de Atingidos por Barragens do Vale do São Francisco.

Com o auditório da Câmara de Vereadores de Sobradinho (BA) lotado, deu-se início na manhã desta terça-feira, 5 de junho, ao 1º Seminário de Atingidos por Barragens do Vale do São Francisco.

Cerca de 300 pessoas da Via Campesina iniciaram um acampamento nesta manhã (22/08) em Juazeiro, na Bahia, em frente à Universidade do Vale do São Francisco. Entre as pautas a serem discutidas estão a problemática das barragens na região, o uso abusivo de agrotóxicos pelos fazendeiros e o endividamento agrícola dos agricultores.

Mesmo com a promessa de desenvolvimento, 30 anos depois da construção da Barragem de Sobradinho, a Chesf não conseguiu garantir energia elétrica para 60% dos povoados do município. Tal dado foi revelado ontem (7) na Univasf, em Petrolina, durante a apresentação do relatório “Violação de Direitos Humanos na Construção de Barragens”. 

Na noite de ontem (07), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasp) o ato de divulgação do relatório da Comissão Especial “Atingidos por Barragens”, que comprova violação dos direitos humanos na construção de barragens no Brasil.

 Estiveram presentes parceiros como o MST, a CPT, a Consulta Popular, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária, entidades do movimento estudantil, sindicatos e também instituições governamentais como a superintendência regional do Incra.

Atingidos pela barragem de Sobradinho há mais de 30 anos, apenas agora os ribeirinhos estão recebendo energia em suas residências. Eles foram submetidos a viver de forma  precária, sem os direitos fundamentais como acesso à água, moradia, terra, educação, saúde e principalmente sem energia elétrica. A partir da organização e luta ainda na década de 70, os atingidos avançam na busca dos direitos, conquistando cisternas, a produção em hortas e o acesso à energia elétrica.