Atingidos da barragem de Setúbal se reúnem com Governo de Minas

Sem água para beber, falta de títulos da terra, casas com rachaduras e pontes quebras foram às heranças deixadas pela empresa Rural Minas depois da construção de barragem

A luta pela conquista por direito é constante. Como um dos resultados das lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no 14 de março - Dia Internacional de Lutas Contra as Barragens, pelos Rios, pelas Águas e pela Vida -, atingidos pela barragem de Setúbal, organizados no MAB se reuniram com Mesa de Diálogo da Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo de Minas Gerais, nesta quarta-feira (31), para que o governo entenda e reconheça os passivos feitos pela barragem.

A reunião aconteceu no reassentamento Agrovila 2, em Chapada do Norte, tratando dos impactos e pendencias da barragem de Setúbal. Estavam presentes cerca de 200 atingidos dos reassentamentos Agrovila 1 e Agrovila 2, além dos atingidos que estão abaixo da barragem, em sua maioria, atingidos da cidade de Francisco Badaró.

A empresa Rural Minas, prometeu acesso à água para 30 mil famílias. Hoje, os reassentamentos e comunidades no entorno da barragem não possuem água para beber. A empresa também ainda não apresentou e deu os títulos das terras dos atingidos reassentados. “A questão da água e dos títulos das terras são problemas gravíssimos na região. Essa água que bebemos não serve nem para lavamos nossos pés”, disse atingido.

Antes da reunião com os atingidos a Mesa de Diálogo visitou as comunidades Agrovila 1 e Agrovila 2 para ver de perto os problemas. Os representantes se depararam com ponte quebrada e estradas em péssimas condições. Os moradores relataram que depois a entrega da ponte a comunidade, a construção durou somente seis meses e desde 2011 a ponte se encontra nesta situação.

Em visita aos domicílios e os atingidos relataram que só recebem água quando o caminhão pipa passa. “Desde outubro que a bomba de captação de água está com problemas e o caminhão pipa está sem os pneus. Ou seja, toda a comunidade que depende deste recurso hídrico está sem água potável, tendo que beber água suja de uma lagoa na região”, relata atingida.

Durante a reunião os atingidos fizeram denúncias do descaso da Rural Minas com os atingidos, como falta de assistência técnica, que nunca existiu na região, as casas construídas nos reassentamentos estão apresentando rachaduras e comprometendo a estrutura do imóvel. “Os atingidos estão se organizando e reivindicando ao governo de minas políticas públicas e programas sociais para melhoria de vida dos atingidos”, afirma liderança do MAB.

Os representantes do governo de minas escutaram os atingidos e se comprometeram voltar à região no segundo semestre de 2017 para apresentar propostas concretas para resolver os problemas deixados. Será feito um grupo de trabalho entre o governo e Movimento dos Atingidos por Barragens para apresentar pensar em projetos e programas sociais voltados para os atingidos dos reassentamentos e as cidades atingidas.