Atingidos morrem em colisão entre moto e caminhão da Samarco

Os atingidos Ricardo Pereira de Freitas, de 34 anos, e seu enteado Adrian Eduardo Pereira, de apenas 10 anos, morreram após se chocarem com um caminhão da mineradora


Foto: Portal Unidade de Notícia

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) denuncia que o canteiro de obras da Samarco espalhado por várias cidades na tentativa de reconstruir os estragos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão continua ceifando vidas. Segundo informações de atingidos da região, uma colisão entre uma moto e um caminhão de uma terceirizada da Samarco ocorrida por volta das 15h da tarde desta terça-feira (11) provocou a morte de um atingido Ricardo Pereira de Freitas, 34 anos, e seu enteado Adrian Eduardo Pereira, de apenas 10 anos de idade.

A colisão aconteceu próximo a comunidade do Porto, na estrada entre Ponte Nova e Rio Doce, cidade que divide com Santa Cruz do Escalvado o lago da Hidrelétrica Risoleta Neves, também conhecida como barragem de Candonga, que segura 10 milhões de metros cúbicos de lama da barragem de Fundão.

“A condição desta estrada e os impactos do intenso trânsito de caminhões e carros da Samarco e suas terceirizadas mobilizadas para as obras na barragem de Candonga é um tema recorrente nas nossas reuniões. O transito destes veículos está causando muitos estragos no asfalto, abrindo buracos, além de trazer muita insegurança por causa do grande movimento que arrisca a vida de motoristas de toda a região”, denuncia Thiago Alves, integrante a coordenação do MAB em Minas Gerais.

Este não é um fato isolado. No dia 6 de janeiro, um trabalhador de 31 anos, pai de dois filhos, morador de Sete Lagoas, que não teve o nome divulgado, guiava um caminhão carregado com pedras. Perto da entrada de Barra Longa ele perdeu o controle, tombou e acabou esmagado no veículo.

“É muito importante dizer que os trabalhadores também são vítimas de todo este processo. Apesar de não ter perdido a vida como o trabalhador vitimado em janeiro, o motorista da colisão de hoje, que não teve o nome divulgado, também é uma vitima”, afirma Thiago.

Para ele, a terceirização desta atividade impõe péssimas condições para assalariados e autônomos, precariza o trabalho, além de um ritmo de trabalho alucinante que torna o trânsito em uma região antes bastante tranquila em uma bomba relógio.

“Somos testemunhas do receio da população que trafega diariamente entre Ponte Nova e Rio Doce. Esta não é uma novidade. Para além das circunstancias específicas do ocorrido hoje, temos que ter em mente que a causadora fundamental destas tragédias é a mobilização feita pela Samarco, unicamente necessária por causa do maior crime ambiental da história da mineração. Portanto, as responsáveis têm nome e endereço”, conclui.

No dia 24 de maio, às 18h, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fará na comunidade de Santana do Deserto, em Rio Doce, uma Assembleia com a presença do Deputado Federal Padre João, presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal para debater os direitos dos atingidos pela Samarco na região. Uma homenagem aos falecidos e a discussão sobre a segurança de atingidos e trabalhadores será incluído na pauta.