Atingidos pela usina Garibaldi retomam acampamento em Santa Catarina

Na próxima semana, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) retomam as atividades montando um acampamento permanente com os agricultores atingidos pela hidrelétrica de Garibaldi, em Santa Catarina. O objetivo das mobilizações é pressionar a empresa responsável pela obra para que cumpra com o acordo assinado na última reunião de negociação.

A negociação baseou-se no decreto presidencial assinado pelo ex-presidente Lula em 2010, que assegura o direito a reassentamento, reconhecimento dos arrendatários, meeiros, posseiros, filhos da terra como atingidos. Segundo Denilso Ribeiro da coordenação do MAB, o acordo, feito junto ao Ministério Público Estadual de Lages, é um dos primeiros avanços da luta. “Até esses dias atrás a empresa nem cogitava a hipótese de reassentar os atingidos, com esse acordo ela terá que comprar uma área de terra e iniciar o processo reassentando 50 familias”.

De acordo com Jessei Vezaro, morador da comunidade São Paulinho, Abdon Batista, "iremos retomar o acampamento porque queremos agilidade no processo de indenização. Estamos acampados em defesa dos nossos direitos, nos chamam de invasores, mas na verdade quem invadiu nossas terras foi essa empresa que está quase concluindo as obras e até agora não nos pagou nada”.

Nesta semana, o MAB realizou várias assembléias nas comunidades e nos municípios atingidos, no intuito de informar aos agricultores sobre o processo de negociações e esclarecer dúvidas sobre o decreto presidencial. O Movimento reuniu centenas de famílias que estão preocupadas com a situação atual, dizendo que até o momento nem foram procuradas pelo consórcio construtor da usina para acertar seus lotes que serão alagados.