Via Campesina forma engenheiros em agroecologia na Venezuela

Uma turma de 66 camponeses e camponesas da América Latina vai receber o diploma de graduação em engenharia em agroecologia pelo Instituto Universitário Latinoamericano de Agroecologia  (IALA)  Paulo Freire, na Venezuela, neste mês de julho.

Esta é a primeira turma do curso e conta com educandos de sete países: Brasil, Paraguai, Equador, Nicarágua, Colômbia, México e Venezuela. O curso é um convênio entre o governo bolivariano da Venezuela e a Via Campesina Internacional.

“O curso busca tornar realidade os sonhos de camponeses, indígenas e afrodescendentes, que sempre foram discriminados e impedidos de estudar”, afirma Nilde Nascimento, integrante da turma e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A formação teve duração de cinco anos e foi distribuída em cinco etapas semestrais. A partir do segundo ano, ao final de cada semestre os educandos tiveram um mês de estadia nas comunidades locais para trocar aprendizados e aprofundar o conhecimento da realidade camponesa.

Para os movimentos do campo, a importância do curso é contribuir com o fortalecimento da luta na América Latina contra o sistema dominante – que inclui o neoliberalismo, o agronegócio, a dependência externa e a degradação ambiental. Além disso, o curso fortalece a soberania alimentar e a integração solidária dos povos da América Latina, do Caribe e do mundo.

“Nesses anos mostramos que é possível a construção de uma universidade distinta, com camponeses e camponesas”, afirmou Nilde. “Agora é o momento de voltar a nossos lugares de origem, recuperar nossa energia e ânimo e levar a cada local o que aprendemos nessa casa de estudo internacionalista.”