Celpa pede autorização para aumentar tarifa em 37%

Vem aí mais um assalto aos bolsos dos paraenses: a Centrais Elétricas do Pará (Celpa) pediu à Aneel autorização para aumentar a tarifa de luz em 37,07%. O reajuste, se autorizado, será anunciado no próximo dia 7 de agosto.

O pedido ocorre após a empresa ser autorizada a reverter R$ 39,5 milhões de multas em “investimentos”, o que ocorreu em julho. A desculpa foi “recuperar a qualidade dos serviços”. No ano passado, a empresa foi autorizada a reajustar a tarifa em 11,52% para os consumidores residenciais.

“Esse aumento é abusivo ao consumidor e não corresponde ao reajuste inflacionário do período. Pela qualidade do serviço prestado a conta de luz deveria era diminuir”, afirma Cleidiane Santos, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Pará.

A Celpa, privatizada há 13 anos pelo então governador Almir Gabriel (PSDB) é responsável pelo fornecimento de serviços de energia para 2 milhoes de consumidores paraenses em 144 municipios do Pará. Em 2012, após a falência do Grupo Rede, antigo controlador da distribuidora, a empresa passou a ser controlada pelo grupo Equatorial Energia.

Com a privatização, a qualidade do serviço piorou, o trabalho dos trabalhadores foi precarizado. Ocorreram demissões em massa e a prática da terceirização passou a ser corriqueira.

“O Grupo Equatorial assumiu o controle acionário da Celpa em novembro de 2012. No ano seguinte começou a demitir imotivadamente. Ao final do primeiro semestre de 2013, os sindicatos perceberam que os alvos principais das dispensas eram trabalhadores com tempo avançado na empresa, próximos à aposentadoria, pessoas doentes, sequeladas e com perda de capacidade laboral”, afirma nota do Sindicato dos Urbanitários do Pará.

Das 63 empresas que distribuem energia no Brasil, a Celpa está em último lugar em qualidade. Cada brasileiro ficou durante o ano de 2012 em média 20 horas sem energia. Os paraenses ficaram mais de 100 horas. As perdas de energia da Celpa chegam a 35%, sendo 1/3 assumido pela empresa e 2/3 pelos consumidores.