Com mobilizações, atingidos por Garibaldi avançam em negociação

Depois de várias tentativas de negociações, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) conseguiu avançar nas negociações com relação à construção da usina de Garibaldi, no oeste catarinense. Em reunião com representantes da empresa Triunfo e do Ministério Público de Lages, foi decidida a elaboração de um cronograma para visita às famílias, para que cada atingido saiba se tem direito à indenização ou ao reassentamento.

A empresa terá que definir os prazos e formas de pagamento para os atingidos em dez dias.  “Estamos conseguindo garantir avanços na pauta de reivindicação com o processo de mobilização dos atingidos, estamos realizando as vistorias das terras para reassentamento juntos com a empresa, conseguimos avançar, mas continuaremos mobilizados”. Afirma Denilson Ribeiro da coordenação do MAB.

Mesmo com a garantia dos avanços nas negociações, os atingidos permanecem acampados nas proximidades do canteiro de obras da usina.

Histórico

Desde o dia 13 de março, quando o MAB iniciou sua Jornada Nacional de Lutas, cerca de 500 atingidos montaram acampamento para que, em vigília, pudessem acompanhar os avanços das negociações. A atividade começou com a ocupação do canteiro de obras da usina, mas, após a forte repressão da empresa através da polícia e de um interdito proibitório, as famílias se deslocaram para a comunidade Nossa Senhora das Graças.

Nesse mesmo período, funcionários da obra atearam fogo nos alojamentos em protesto devido às péssimas condições de trabalho e baixos salários que lhe são oferecidos.

Com custo de cerca de R$ 780 milhões, a barragem de Garibaldi atinge os municípios de Adbon Batista (onde fica o canteiro de obras), Cerro Negro, Vargem, Campo Belo do Sul e São José do Cerrito, alagando 1.864 hectares de terra fértil e expulsando aproximadamente mil famílias. A previsão de lucros é de 10 milhões de reais por ano.