Denunciamos a criminalização das lutas no Peru

Leia carta do MAB em apoio aos movimentos sociais peruanos na luta em defesa da água e do meio ambiente

A região de Cajamarca, no norte do Peru, vem sendo palco há seis meses de uma série de protesto pacíficos pela defesa do direito à água frente à ameaça representada pelo megraporjeto de mineração Conga, da transnacional americana Newmont.

No entanto, a intransigência do governo sob pressão do capital internacional, com seu aparato policial, vem produzindo uma onda de violência contra toda a população que saiu nas ruas mais uma vez esta semana para defender o território peruano.

Na terça-feira (3 de junho), o ex-padre Marco Arana foi agredido pela polícia e preso arbitrariamente. Ele é líder do movimento Terra e Liberdade e um dos principais defensores do meio ambiente e dos povos indígenas frente aos projetos de mineração no país.

Quando foi detido sob violência por 12 policiais, Marco estava protestando pacificamente, sentado do em uma praça ao lado de outros companheiros, com um cartaz preso ao peito, onde estava escrito “Vida sim, ouro não”.“Me prenderam, me bateram muito, dentro da delegacia voltaram a me bater, levei socos no rosto, nas costas, insultos...”, afirmou Marco Arana, após sua soltura, via Twitter.

Nesse mesmo dia, em Celendín, uma cidade da região impactada pelo projeto Conga, a repressão policial a uma manifestação deixou o saldo de três mortos, além de mais de 30 feridos. Entre os mortos estava um estudante de 17 anos.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se soma aos movimentos sociais na denúncia da criminalização das lutas no Peru e na defesa do meio ambiente e das populações camponesas e indígenas.

Nos identificamos com a luta contra os interesses do capital transnacional, que quer impor a ganância do lucro sobre os direitos dos povos em toda a América Latina.

Água, minérios e energia não são mercadorias!