Em Colatina, o Rio Doce continua afogado na lama da Samarco

Desde o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), milhares de pessoas que vivem as margens do Rio Doce lidam com a incerteza do futuro da Bacia Hidrográfica. Além dos municípios Mineiros, comunidades e cidades do Estado do Espírito Santo sofrem com as consequências do crime da Samarco (Vale/BHP Billiton).

A Lama da Samarco entrou no Estado no dia 16 de novembro de 2015 e provocou caos social e ambiental das águas até Foz. Muitas cidades da Bacia do rio Doce são abastecidas pela água do Rio Doce e, mesmo com tratamento, a população sente receio em consumir a mesma com medo das possíveis doenças que podem ser causadas.

A desconfiança em torno da qualidade da água e do pescado é generalizada em amplos setores da população. O Município de Colatina localizado na região Noroeste do Estado convive com essa contradição.  Durante o processo judicial que determinou a interrupção do fornecimento de água mineral no município ficou determinada a realização de uma ampla perícia e processo de consulta à população, onde acabou não sendo realizada.

A análise feita nos afluentes do rio Doce não indica a possibilidade de abastecimento a partir deles, pois se encontram secos e sujos, até o momento não está sendo feito nenhum trabalho de revitalização desses afluentes.

De acordo com Geovane Santos da coordenação estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), são recorrentes as contradições entre os laudos técnicos apresentados e os estudos acadêmicos divulgados sobre a contaminação do rio Doce.

“A população de Colatina usa diariamente água contaminada com os rejeitos da Samarco. Não existe um sistema independente de monitoramento ou um programa de divulgação de resultados e de orientação à população.” Diz o coordenador.

Mobilização Popular

Desde que a lama de rejeitos atingiu o trecho do Rio Doce no munícipio de Colatina, varias atividades e mobilizações foram realizadas. No ultimo dia 04 de novembro, véspera dos dois anos do crime da Samarco, os atingidos juntamente com as igrejas realizaram o III Manifesto em Favor do Rio Doce, onde marcharam pelas principais ruas da cidade denunciando o descaso por parte das mineradoras em relação à cidade.

Os ribeirinhos exigem da Fundação Renova solução imediata das questões do abastecimento e da qualidade da água em todas as comunidades, além do reconhecimento e cadastramento de pescadores e agricultores como atingidos.