Em MG, atingidos pela Samarco participam de ato da Greve Geral

Também estavam presentes integrantes de outras categorias e organizações reunidas na Frente Brasil Popular, em Ponte Nova.

 

 

Nesta sexta-feira, 30 de junho de 2017, trabalhadores e trabalhadoras do campo e cidade realizam mais um Dia Nacional de Greve e Manifestações contra o governo golpista de Michel Temer (PMDB), a lei da terceirização, as reformas da Previdência e Trabalhista e por Diretas Já! Diante do grave momento político que o Brasil vive, é cada vez mais necessário fortalecer a unidade, a organização e realizar as lutas de massa de forma a pressionar o governo golpista e o Congresso contra os retrocessos. 

Neste sentido, atingidos pela Samarco nos rios Gualaxo do Norte e Carmo se reuniram com professores, eletricitários, bancários, crianças e juventude da periferia, agentes de pastoral, entre outros, para realizar nesta manhã o ato da Greve Geral na Praça de Palmeiras, em Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais. É nesta cidade que passa o rio Piranga que, ao encontrar-se com o rio Carmo sujo de lama, torna-se rio Doce que segue manchado até foz, em Regência.

Os atingidos trouxeram além da indignação com o momento político nacional, a denúncia do descaso da Samarco Mineração que, por meio da Fundação Renova, nega os direitos dos atingidos, trata as famílias de forma desigual, fomenta a divisão e “empurra com a barriga” os muitos problemas.

Simone Silva, atingida militante do MAB e professora da rede estadual de ensino considera que participar destes atos unificados é fundamental. “Primeiro, porque faz ampliar nossa denúncia sobre como a empresa tem nos tratado. Depois, porque nestes tempos temerosos não podemos esperar que uma mineradora vá respeitar nossos direitos. As mudanças nas leis ambientais e as reformas vão atingir em cheio também os atingidos”, comenta.

Com voz emocionada, Maria das Graças, atingida e militante do MAB em Gesteira, povoado de Barra Longa, fez uma fala de denúncia pedindo a Samarco que respeite os atingidos. “Estamos aqui a procura de nossos direitos iguais. Quero deixar aqui um apelo para a Samarco que quando a lama veio ela atingiu todas as famílias e agora muitas famílias estão sendo ‘beneficiadas’ enquanto muitas outras sequer foram reconhecidas”, denuncia.

E continuou: “Muitas pessoas estão sofrendo pela saúde, por falta de moradia, falta de plantio, o terrenos que as famílias tinham para plantar estão ainda sujos de lama, além das casas aterradas na lama do jeito que passou. Nós somos famílias, somos comunidade. Então pedimos a Samarco que olhe com mais atenção para estas famílias”, afirmou.

Para Thiago Alves, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a participação dos atingidos nas lutas pela democracia e contra as reformas em todo o Brasil reforça para cada família que isoladas das lutas gerais da classe não avançaremos e que somente nos juntando às outras categorias teremos força para lutar por outro projeto de país e sociedade.

“E nesta região estamos fazendo o esforço de envolver os atingidos pela Samarco na construção da Frente Brasil Popular da região de Ponte Nova, participando do planejamento e das mobilizações para as lutas. Isto permite um salto de qualidade na compreensão da nossa tarefa histórica e da amplitude da luta, além de dar mais energia” conclui.