Em MG, audiência debate violações na vida das atingidas

Foto: Isis Medeiros

Mulheres de Minas Gerais e do Espírito Santo, organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participam nesta quarta-feira (16), às 16h, de audiência pública chamada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais sobre a “Violação dos direitos humanos na vida das mulheres atingidas por barragens”.

O objetivo da audiência é aprofundar o debate sobre as consequências do modelo energético brasileiro na vida das mulheres e incentivar que, cada vez mais, as atingidas sejam protagonistas em processos de luta contra as barragens e também pela garantia de seus direitos.

Além das mulheres atingidas, a audiência conta com a participação da presidente da CUT MG, Beatriz Cerqueira, a coordenadora geral do SindiPetro São Paulo, Cibele Vieira, a secretária de mulheres da CUT MG, Lucimar Martins, a representante do Levante Popular da Juventude, Nathália Lopes, a integrante da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ester Hoffmann, e a integrante da coordenação estadual do MAB, Aline Ruas.

Arpilleras: Bordando a Resistência

Dentro da programação da Audiência Pública, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fará o pré-lançamento do filme “Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência”, produzido pelo Coletivo de Comunicação do MAB.

Por meio de uma técnica de costura chamada “arpillera”, utilizada por chilenas para denunciar os crimes da ditadura [1973-1990] comandada por Augusto Pinochet, o documentário entrelaça histórias de mulheres atingidas por barragens no Brasil.

Entre as barragens retratadas, está a de rejeitos da Samarco (Vale/BHP Billiton), que estourou em Mariana (MG) e causou a morte de 19 pessoas em novembro de 2015, a hidrelétrica de Belo Monte, que atingiu aproximadamente 40 mil pessoas em Altamira (PA), o Açude do Castanhão, que serve para abastecer a região metropolitana de Fortaleza (CE) e o Porto do Pecém, além das hidrelétricas de Cana Brava e Serra da Mesa, em Goiás, e Itá, no Rio Grande do Sul.

Com a linha da costura servindo como fio condutor da narrativa, o longa-metragem percorre as cinco regiões do país. Em cada local, capta a singularidade, mas também a história coletiva de força e resistência das mulheres. O que sempre foi vista como tarefa “do lar”, a costura, transforma-se em uma ferramenta de empoderamento e organização.

No dia 29 de agosto, ocorrerá a pré-estreia nacional no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, para convidados do movimento, atingidas que participaram do filme e equipe técnica.