Em Santa Rosa RS, atingidos lançam 8º encontro nacional do MAB

Na última terça-feira (14), ocorreu o lançamento do 8º Encontro Nacional do MAB (Movimento dos Atingidos pelas Barragens), no auditório do SindiCoop/AREDE. Líderes sindicais, representantes da Igreja Católica e da IECLB, agricultores ameaçados pelas barragens de Garabi e Panambi se revezaram nas manifestações deste dia que é comemorado os 26 anos do MAB.

Fernando Fernandes, da coordenação estadual do MAB, ressaltou a importância do 8º Encontro Nacional do MAB que ocorrerá de 1º a 5 de outubro no Rio de Janeiro. Segundo ele, a programação será intensa nos cinco dias do evento, com presença diária nas ruas em manifestações que terão como foco o BNDES e a defesa da PETROBRAS que aniversaria dia três de outubro. O lema deste ano é "Água e energia com soberania, distribuição de riqueza e controle popular". O evento reunirá cerca de 5 mil atingidos de todas as regiões do Brasil, para além de aliados e parceiros do Brasil e de outros países da América Latina.

O Encontro também servirá como oportunidade para a realização de uma avaliação crítica sobre o legado histórico da revolução Russa - que em 2017 completa 100 anos - trouxe para a humanidade.

A partir desta experiência histórica, o MAB pretende debater os desafios para a construção de uma nova sociedade.

Projetos de PANAMBI e GARABI

Não obstante a Justiça Federal manter liminar que suspende toda e qualquer ação sobre a barragem Panambi, suspensa por liminar da 1ª Vara Federal de Santa Rosa, e mantida pelo TRF da 4ª Região. O MAB segue atento. Em relação à Panambi, a Eletrobrás suspendeu temporariamente os estudos de viabilidade técnica e ambiental. Mas as famílias permanecem mobilizadas.No Brasil existem cerca de 1 milhão de pessoas atingidas por barragens, sendo cerca de 2 mil hidrelétricas e o Rio Grande do Sul é um estado com um número significativo de barragens. Dados fornecidos pelo MAB dão conta que de cada 10 pessoas desalojadas de suas propriedades em função de barragens, somente três recebem indenização. E mais:

a tarifa elétrica cobrada no Brasil é a 5ª maior tarifa do mundo, permitindo um lucro exorbitante para as empresas que operam as hidrelétricas. Mas, é caro apenas para os famílias de trabalhadores, pois o custo médio de 1 kW para uma grande empresa como a mineradora Vale é de R$ 0,03, no entanto o trabalhador paga R$ 0,60 por kW (A título de conhecimento: 1kW = 1.000 watts).

 

Texto e foto: Gerson Rodrigues