Energia é tema de debate no Acampamento pela Democracia, em Belo Horizonte

Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ressalta a importância de um projeto energético popular para o Brasil


O Modelo Energético Brasileiro e sua influência na conjuntura política atual foi tema de debate no quarto dia, quarta-feira (4), do Acampamento pela Democracia, que acontece na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte (MG). Representantes do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro/MG), Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) participaram da mesa.

Para o assessor de comunicação do Sindipetro, Felipe Pinheiro, a questão da energia vem sendo atacada há alguns anos e é foco central para o capital. “Quando se trata de petróleo, geopoliticamente, existem duas realidades: guerras ou golpes de estado. Isto é o que vivemos hoje no Brasil”, disse Felipe.

Dessa forma, o golpe político só acarretaria em privatização e perda de investimentos na sociedade “A Petrobrás é o motor da economia brasileira, privatizar é atacar diretamente a soberania nacional, é parar a indústria interna e colocar em risco os investimentos em saúde e educação. Por isso, nós trabalhadores petroleiros, somos contra o golpe e contra a privatização da Petrobrás e de nossas riquezas naturais”, ressaltou Felipe. 

Carlos, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e assessor do Sindieletro, apresentou várias consequências do golpe para o setor elétrico, dentre elas a terceirização do trabalho que gera mutilações e mortes no setor e a precarização do serviço com queda da qualidade e aumento da tarifa.

Segundo a militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Camilla Brito, o tema da energia deve fazer parte da estratégia de luta popular do conjunto das organizações do Brasil e do mundo. “A conta de luz é a prova de que os trabalhadores e trabalhadoras são roubados todos os meses. Em Minas Gerais, temos a energia mais cara do país. Por isso, é nosso trabalho fazer chegar também às contradições do modelo energético e a necessidade de luta por um projeto popular”, opinou Camila.

Para o MAB, o "modelo" significa a política energética necessária ao desenvolvimento das forças produtivas e com a distribuição da riqueza à classe trabalhadora, com adequada sustentabilidade ambiental e garantia da soberania nacional e energética.

As intervenções da mesa e dos participantes do debate convergiram na importância de se construir outro modelo econômico, baseado nos interesses da classe trabalhadora e em respeito ao meio ambiente.