Equipe de saúde utiliza medicina alternativa no Encontro Nacional

Prática alternativa foi o tratamento mais utilizado pela equipe de saúde do 8° Encontro Nacional do MAB


Por Jaqueline Deister

Fotos: Joka Madruga

O 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens reuniu cerca de 3.500 pessoas durante os últimos cinco dias no Terreirão do Samba, no Rio de Janeiro (RJ). Foram fóruns de discussão, atos, apresentações culturais e muita energia emanada dos participantes de 21 estados brasileiros.

Como em todo grande evento, uma equipe de saúde esteve de prontidão para atender o público presente. O diferencial do Encontro foi oferecer nas consultas práticas integrativas e complementares. De acordo com Judite da Rocha, responsável pela coordenação do coletivo de saúde do evento, a equipe composta por 60 profissionais realizou cerca de 800 atendimentos. Ela explica que a maioria dos casos foi possível encaminhar com tratamentos  alternativos.

“No primeiro levantamento que a gente tem, temos pressão alta, dores de cabeça e musculares, dores de garganta, muitas pessoas com crise de estresse e epilética, diarréia. Esses foram os que mais tiveram atendimento", disse Judite.

Entre as práticas complementares de tratamento estavam o reiki, a massagem, a fitoterapia, a homeopatia e o benzimento. Fabiana Basile é naturóloga e massoterapeuta há 17 anos. A profissional de saúde integrou a equipe do Encontro Nacional do MAB. Ela conta que realizou cerca de 60 atendimentos de massagem durante o evento. A maioria dos casos estava associada à fadiga e tensão muscular. Para Basile, o fato do Sistema Único de Saúde, o SUS, ter reconhecido a medicina não convencional dentro das práticas de tratamento foi uma conquista.

“É muito importante o SUS ter aberto essa porta para a medicina alternativa, na verdade são tratamentos complementares. Têm vários casos no hospital que não precisam ser encaminhados com remédio. Então é importante essa conquista, porque você consegue administrar melhor a quantidade de pessoas que passam no hospital e não necessitam de remédio. Por exemplo, existe chá que é calmante e baixa a pressão. A medicina complementar é muito rica e não tem um efeito colateral, quando você trata o caso com a planta certa”, explica Basile.

O SUS passou a oferecer terapias alternativas como a meditação, arteterapia, reiki e musicoterapia desde março deste ano. Os serviços são oferecidos por iniciativa local, mas recebem o financiamento do Ministério da Saúde por meio do Piso de Atenção Básica, o PAB, de cada município.