Governo e Petrobras não estão abertas ao diálogo, afirma petroleiro

Pauta da greve não se resume a demandas trabalhistas. “Se for produzir o pré-sal pela lógica do mercado, não vai sobrar nada para o povo”, diz diretor da FUP.


Por Nadine Nascimento, do Brasil de Fato

“Essa retirada de investimentos e a entrega da Petrobras para os estrangeiros compromete a soberania energética do país, além de dar aos estrangeiros os cargos de trabalho qualificados. Isso é grave, pois o Brasil continuará sendo um país de exportação de commodities e não um país que pensa em modernização, em tecnologia”, disse o diretor de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro SP, João Antonio Moraes, em entrevista coletiva sobre a greve dos petroleiros realizada nesta quinta-feira (5).

Com o objetivo de apresentar as reais pautas de reivindicações da greve dos petroleiros, a FUP convidou os veículos alternativos da mídia para uma entrevista coletiva no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na região central de São Paulo.

A greve nacional dos petroleiros, que teve início neste domingo (1), com 80% de adesão, não se resume a reivindicações trabalhistas. A paralisação ocorre também em “defesa da Pauta Brasil, que se posiciona contra o plano de venda de ativos da estatal, a interrupção de obras e projetos que impactam o desenvolvimento do país e busca manter direitos dos trabalhadores”, em meio às dificuldades financeiras da Petrobras.

Moraes afirma que os a FUP e mais 12 sindicatos se viram obrigados a entrar em greve já que o governo e a estatal não querem manter o diálogo e se posicionam de forma “autoritária”em relação as demandas dos trabalhadores. 

“O que está pior é a Petrobras e o governo não se abrir para o diálogo. Não dá para imaginar a estatal sendo tratada como uma empresa qualquer como vem ocorrendo, ela não é uma empresa qualquer. O Brasil passou a ser uma das maiores potências do mundo na produção de petróleo, isso por si só já mostra a importância da Petrobras”, disse.

Impactos

Ele ainda cita a previsão de economistas em relação as perdas do país no caso de a empresa ser privatizada. Até 2020, cerca de 700 bilhões de reais da estatal seriam retirados pelas empresas estrangeiras, além da perda de 20 milhões de postos de trabalho. “Se for produzir o pré-sal pela lógica do mercado, não vai sobrar nada para o povo. Essas corporações não vão aceitar a destinação dos royalties para a educação".

O impacto no desenvolvimento no país também seria grande, já que hoje a produção de petróleo representa 13% do PIB e é responsável por 40% dos investimentos feitos na indústria.

Depois da descoberta do pré-sal, para Moraes, houve uma “grande ofensiva do capital estrangeiro” que influencia as ações do setores mais conservadores da política nacional. Ele ainda critica o governo Dilma que “não se posiciona de acordo com o plano de governo que a reelegeu”.

“É verdade que com essa crise política a Dilma não tomou posse ainda, o seu governo assiste de longe o que acontece na Petrobras e não consegue implementar o programa pelo qual foi eleito. Se não fosse a mobilização da FUP e dos movimentos sociais o projeto do Serra já teria sido aprovado. A bancada da esquerda do país, tendo na frente o PT, está perdida”.

Interesses

Por fim, o sindicalista vê que há um conluio entre os meios de comunicação e aqueles que formam o capital financeiro e, portanto, informações importantes para a sociedade seriam omitidas.

“O que a maior parte dos brasileiros não sabe, por que a mídia tradicional não fala, é que todas as grandes empresas de petróleo no mundo estão em crise. Todas as empresas petrolíferas tiveram um prejuízo ou diminuíram drasticamente a produção devido a queda do preço do barril de petróleo e com a Petrobras não é diferente”.

Finalizou com um pedido: “espero que vocês, da imprensa alternativa, que dão voz aqueles que não tem voz, leve a todos os brasileiros a mensagem de que nós, que usamos esse jaleco laranja, temos o mais profundo interesse com o futuro de nossa pátria e de nosso povo, não estamos contra os brasileiro. Nós queremos propor saídas que fujam da lógica do mercado”.