A água sob ameaça

 Seminario Internacional no País Vasco denuncia as distintas ameaças à agua e suas comunidades ao redor do mundo

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Os processos de privatização e mercantilização da água constituíram o primeiro eixo de temas abordados no Seminário Internacional “Alimentos, agua e energía não são mercadorias”, que começou ontem (29) na capital do País Vasco, Bilbao, organizado pela organização local Mundubat e pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e que se encerra amanhã.

No diagnóstico compartilhado foram denunciadas distintas formas e estratégias de apropriação privada da água, suas ameaças e as consequências que estão provocando em termos de direitos humanos ao redor do mundo.

Assim, fizeram uso da palavra as italianas Caterina Amiucci, da Recommon e do Fórum da Água e Daniela del Bene, do Movimento pela Água, Omar Tabakhna, da União de Comitês de Trabalhadores Agrícolas, que compartilhou o processo de apropriação de terra e agua sofrido na Palestina devido à ocupação israelense, Rosalinda Hidalgo, que explicou o contexto nacional em que se comemora os dez anos de luta do MAPDER (Movimento Mexicano contra as Represas e em Defesa dos Rios e da Vida) e os jóvens Adrián Solanas e Victor Iguacel, que compartilharam sua luta local contra as barragens na comunidade de Aragón, na Espanha.

Caterina Amiucci iniciou sua apresentação com um repasse da luta contra o avanço da privatização dos serviços de água na Itália, descrevendo a vitória cidadã em um referendo para revogar uma lei aprovada no governo de Slvio Berlusconi, que pretendia obrigar os municipios a privatizar 40% dos serviços de agua potável.

Uma economía “de papel”

Os participantes denunciaram o papel nocivo que a financeirização da água tem para os bens naturais e os direitos humanos. “Hoje vivemos na era do capitalismo financeiro, onde trocar dinheiro, riscos e outros produtos asociados é muito mais benéfico para a acumulação de capital que trocar os bens e serviços comerciais”, explicou Amiucci.

Entre os casos mais significativos, a expositora destacou a financeirização das hidrelétricas: “Estão criando subsidios, beneficios fiscais, mercados de capitais, regimes reguladores e outros tipos de sistemas para transformar as infraestruturas em uma classe de bens que produzem beneficios extraordinários.”

"Sem a existência desses mecanismos, que constituem ferramentas de financiamento público, as construções de represas não seriam obras rentáveis. Estão fazendo uma extração de recursos públicos para o benefício privado”, destacando entre essas as ferramentas de “desenvolvimento limpo”.

Daniela del Bene denunciou a intenção das empresas de despolitizar o debate sobre a crise na Europa, com o exemplo da empresa de energía Elétrica Enel, responsável pela violação de direitos humanos em vários países da América Latina.