Indígenas entregam abaixo-assinado ao governo contra barragens no Tapajós

Indígenas, ribeirinhos e organizações sociais entregaram ontem (1º de dezembro) um abaixo assinado ao Ministério do Meio Ambiente contra as barragens no Rio Tapajós. Os indígenas Mundurukus também denunciam as ameaças e intimidações que estão sofrendo dos madeireiros na região, além da garimpagem ilegal nas terras indígenas e comunidades tradicionais.

Segundo a guerreira Alessandra Korap, "estivemos em Brasília e fomos falar para o ICMBIo, IBAMA e ministério que nós existimos sim e que eles têm que sair da sua cadeira, ir lá olhar e agir, e não dar a nossa região para os grandes empreendimentos porque eles estão destruindo a Amazônia e o nosso rio Tapajós". As indígenas entregaram a carta do I Encontro das Mulheres Munduruku do Médio Tapajós para 11 ministros.

Para Cleidiane Santos, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), "não basta só cancelar o licenciamento da barragem de São Luiz do Tapajós, o MAB defende que não seja construída nenhuma barragem dos mais de 40 projetos pensados para esta bacia" e complementa dizendo que "esse governo Temer pretende aprovar a nova lei de Licenciamento Ambiental que visar aumentar o lucro das empresas e aumentar o número de atingidos".

Cancelamento da barragem

O Processo de licenciamento das barragens no Tapajós foi cancelada em agosto desse ano, após um longo processo de lutas dos índios Mundurukus e dos Movimentos Populares, como o MAB, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Terra de Direitos. No entanto, o governo já declarou que a ideia de construir barragens no rio Tapajós não está definitivamente descartada.