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Jovens atingidos por Belo Monte organizam festival de funk

Dança, música e poesia. Essas foram as armas utilizadas pelos jovens atingidos por Belo Monte para responder ao mais grave problema gerado pela construção da hidrelétrica em Altamira: o aumento dos homicídios, que faz da juventude a principal vítima.

Com esse propósito, os jovens do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizaram ontem (19 de novembro) o 1º Festival de Funk no barracão comunitário do bairro Jatobá, o maior reassentamento construído para realocar os atingidos pelo reservatório da hidrelétrica, com mais de 1500 famílias, em Altamira (PA).

“Nosso objetivo foi organizar os jovens em torno da música, da dança e da poesia, criando um espaço de lazer e conscientização, a partir de uma demanda da juventude da própria comunidade, que era fazer um festival de funk no bairro”, afirma Igor Meirelles, da juventude do MAB.

Igor explica que os jovens como ele, atingidos por Belo Monte, são as principais vítimas da violência agravada pela construção da hidrelétrica, que tornou Altamira o município mais violento do Brasil. “Vemos nossos amigos de infância serem assassinados ou desviarem para caminhos que não são produtivos pela falta de políticas públicas e oportunidades. Sofremos com o preconceito, por sermos jovens, negros e morarmos nos bairros da periferia da cidade, para onde fomos remanejados por Belo Monte. Mas através do Movimento, mostramos também que sabemos nos organizar para mudar essa realidade”, afirma.

A atividade contou com a presença do grupo Ellytes do Funk, além do poeta marginal Rafael Zan, dos cantores popular Jhonatan Ferreira e Alan, e da brigada de Agitação e Propaganda do MAB Haydèe Santamaria, que fez uma apresentação de batucada.

Participaram da atividade cerca de 100 jovens e adolescentes, a maioria moradores do próprio bairro. O evento abriu a Semana da Consciência Negra, que conta com diversas atividades culturais e políticas na cidade. A atividade também faz parte do projeto Cinema nas Comunidades, realizado pela Associação das Famílias do Bairro Jatobá (AFAJA) e MAB e com apoio do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA) e recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA).