Juventude atingida se reúne no Vale do São Francisco

De um lado, um extenso potencial hidrelétrico, diversos projetos de irrigação para o agronegócio e a maior obra de infraestrutura hídrica do país, a transposição do rio São Francisco. De outro, uma juventude que se pergunta: desenvolvimento pra quê? E pra quem?

De um lado, um extenso potencial hidrelétrico, diversos projetos de irrigação para o agronegócio e a maior obra de infraestrutura hídrica do país, a transposição do rio São Francisco. De outro, uma juventude que se pergunta: desenvolvimento pra quê? E pra quem?

Entre os dias 21 e 23 de fevereiro, cerca de 50 atingidos por barragens se reuniram no assentamento Jibóia, município pernambucano de Cabrobó, para discutir os desafios e perspectivas para a juventude diante dos impactos e ameaças dos grandes projetos na região.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Quilombolas e Indígenas também participaram da atividade.

O Vale do São Francisco, localizado no Semiárido brasileiro, é marcado por uma relevante biodiversidade, marcada pela caatinga, com terras férteis, minérios, água e grande potencial em geração de energia elétrica, o que o torna uma região estratégica no campo político, econômico e social.

Para a quilombola Fernanda Maira, ameaçada pelos projetos de barragens de Riacho Seco e Pedra Branca, desde a década setenta o grande capital tem priorizado esta região, pautando a apropriação do território e a exploração dos bens naturais. “Construção das barragens, projetos de irrigados para o agronegócio, transposição do rio São Francisco, trans nordestina e outros empreendimentos projetados para a região são exemplo do aumento da reprodução do capital na região e tem ocasionado diversas violações de direitos humanos”, afirmou.

Já a coordenadora do MAB na região, Marta Rodrigues, destacou a importância da organização, formação e articulação da juventude no processo de transformações sociais.  “Compreendemos que a juventude tem um papel fundamental nas transformações sociais do nosso país e estes espaços de formação, vinculado às necessidades de soluções para os problemas do povo precisa ser permanente”, observou.

O encontro também serviu como preparação para a Jornada de Luta do dia 14 de março, quando atingidos de todo o mundo saem às ruas contra as barragens, pelos rios e pela vida.