Juventude marca presença no Encontro Nacional do MAB

Jovens de diversos movimentos sociais destacaram a importância de sua ousadia e irreverência para a construção dos processos revolucionários


Texto: Mariana Pitasse

Fotos: Joka Madruga

Em meio aos batuques, cantos e palavras de ordem, a juventude de diversos movimentos sociais marcou presença no 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no Rio de Janeiro. Na plenária "Os desafios e tarefas da juventude na construção da revolução", que aconteceu nesta quarta-feira (4), os jovens destacaram sua ousadia e irreverência como características importantes para a construção dos processos revolucionários.

Os jovens presentes representaram militantes do MAB das cinco regiões brasileiras, além do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Levante Popular da Juventude, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU). Também estiveram presentes, representantes de Cuba e da Venezuela.

Para Marina Calisto, 21 anos, militante do MAB do Ceará, a juventude representa o potencial de mobilização e entusiasmo. "Os jovens sempre contribuíram na luta por justiça. A juventude representa esse fermento que anima a resistência. A revolução é feita pelos trabalhadores, mas a juventude tem o potencial de canalizar e animar esse processo", afirma.

Durante a plenária foi relembrada também a importância dos jovens nos processos revolucionários, como a Revolução Russa, que completou 100 anos em 2017. "Historicamente os jovens cumprem papel fundamental na luta. Ano passado, no contexto do golpe, aconteceram uma série de ocupações em escolas brasileiras. Em contextos revolucionários a juventude foi primordial, como em Cuba e Nicarágua. Hoje continua sendo essencial", complementa Ingrid Moraes, 20 anos, militante do Levante Popular da Juventude do estado do São Paulo.

No encerramento da plenária, falas do revolucionário Che Guevara foram relembradas. Também foi feita uma homenagem a Cuba e a Venezuela, como referências de países revolucionários. Além disso, a luta por diversidade e contra a LGBTfobia foi apresentada como uma pauta de extrema importância para os movimentos sociais, principalmente, depois da Justiça Federal ter garantido, no último mês, uma liminar que deixa psicólogos oferecerem tratamentos médicos para homossexualidade.

"O capitalismo insiste em colocar padrões do que é certo e o que é errado. A juventude, nesse sentido, tem o dever de colocar o que não se encaixa nesse padrão. A diversidade também faz parte da revolução. Mas é importante lembrar que a fragmentação não é interessante. A saída não é individual, é coletiva˜, conclui Marina, do MAB.