MAB lança exposição de Arpilleras em Rondônia

A exposição, que já passou pelo Memorial da América Latina (SP), chega agora ao Museu da Memória, na Universidade de Rondônia (UNIR)


No último sábado (7), durante a II Semana de Artes e Cultura da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) lançou a exposição “Arpilleras: Bordando a Resistência”, no Museu da Memória, antigo Palácio do Governo de Porto Velho (RO), palco de diversas lutas dos atingidos no passado.

A exposição foi reinaugurada com a Roda de conversa “Gênero, Cultura e Sociedade: Dignidade e resistência das Mulheres”, na qual as atingidas denunciaram a injustiça do caso da morte da militante do MAB, Nicinha, assassinada no começo do ano.

Recentemente, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o assassinado de defensores de direitos humanos, incluindo a de Nicinha, e cobrou do estado brasileiro justiça e a proteção aos defensores. "A Comissão Interamericana lembra que o Estado tem obrigação de iniciar uma investigação sobre eventos dessa natureza, e punir os autores materiais e intelectuais. Nesse sentido, sobre o assassinato dos defensores, as investigações devem seguir a hipótese de que esses assassinatos foram cometidos dado a conexão com os trabalhos na defesa dos direitos humanos”, afirma a nota da CIDH.

De acordo com Creuza, militante do MAB em Rondônia, não somente as mulheres do campo são atingidas e a luta é o elemento garantidor de mínimos direitos, principalmente das mulheres. "O caso da Nicinha revela o quão machista e patriarcal é nossa sociedade", afirmou.

Durante a semana serão realizados debates e mesas de diálogos no espaço do Museu da Memória.