MAB recebe prêmio João Canuto no Rio de Janeiro

Homenagem é realizada anualmente pelo Movimento Humanos Direitos (MHUD), grupo que reúne artistas em defesa de causas sociais

Foto: MHUD

“Ser atingido por uma barragem é perder a sua terra, a sua casa, o lugar em que se cresceu, onde se pescou, onde se plantou. Barragens muitas vezes matam famílias, sejam por tragédias que assassinam pessoas, sejam pelas mortes em vida de quem segue sem perspectivas”. Foi assim que a atriz Bete Mendes definiu o que é ser uma pessoa atingida por barragem, durante a entrega do Prêmio João Canuto, que ocorreu nesta segunda-feira (11), no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro.

Todavia, a noite não era para exaltar as dores, mas para compartilhar experiências de luta e superação. Foram oito homenageados, entre eles o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), durante a cerimônia anual realizada pelo Movimento Humanos Direitos (MUHD). A entidade, que reúne diversos artistas, tem realizado atividades há 15 anos “em prol da paz e dos direitos humanos”.

Além do prêmio, o MHUD já participou durante este último ano de diversas atividades e se engajou nas causas levantadas pelo MAB. Uma das parcerias entre os dois movimentos foi recordada por Bete Mendes: “Em meio à tristeza dos problemas, floresce junto ao MAB a arte das arpilleras, retratadas no filme Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência”. O documentário de longa-metragem contou com a narração de uma das integrantes do MUHD, a atriz Dira Paes.

As arpilleras, que são bordados utilizados por mulheres chilenas como uma ferramenta de denúncia durante a ditadura militar, foram resgatadas pelo MAB em oficinas auto-organizadas pelas atingidas. Algumas dessas peças foram levadas pelas militantes presentes na cerimônia: Alexania Rossato, integrante da coordenação nacional do MAB; Andreia Neiva, atingida da região de Correntina (BA); Raiene Evangelhista, atingida de Cachoeiras de Macacu (RJ); Simone Silva, atingida pela Samarco no município de Barra Longa (MG).

Durante sua fala de agradecimento em nome do movimento, Alexania dedicou o prêmio aos sete militantes que estão em greve de fome contra a proposta da Reforma da Previdência: “Em nome do MAB, nós agradecemos imensamente o carinho dos companheiros e companheiras do MHUD, um movimento irmão que também está nessa luta que travamos em defesa dos direitos humanos dos atingidos por barragens no Brasil. Nosso prêmio é um reconhecimento histórico da luta que fazemos há tanto tempo em nosso país. Mas essa noite eu gostaria de dedicar este prêmio, em nome do MAB, aos sete companheiros, cinco mulheres e dois homens, que há sete dias fazem greve de fome em Brasília contra a Reforma da Previdência”.

Homenageados

Além do MAB, a cerimônia também homenageou outros defensores dos direitos humanos: Conceição Evaristo, escritora mineira com destaque na militância negra; Dadá Borari, liderança indígena dos borari, da região do rio Tapajós; José Vargas Jr., advogado ameaçado por defender as famílias vítimas da chacina Pau D’arco; Justiça Global, ONG de defesa dos direitos humanos; Silvero Pereira, ator e dramaturgo em prol da causa LGBTI, que se destacou na última novela da Rede Globo “A Força do Querer”; Vera Malaguti, professora da UFRJ com atuação junto à população de rua; Xavier Jean Marie, militante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) com atuação no combate ao trabalho escravo.