Menos cadeia, mais escola!

Contra o extermínio da juventude e a redução da maioridade penal, manifestação do Levante Popular e do MAB paralisa avenida no centro do Rio de Janeiro

Soltando pipa, fazendo brincadeiras de roda, ciranda e amarelinha. Assim foi o ato do Levante Popular da Juventude e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) na manhã dessa quinta-feira (5). Os manifestantes trancaram a avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, para denunciar o extermínio da juventude no Brasil.

O protesto teve as cores e a alegria da juventude brasileira e não o preto do luto das famílias que perdem seus jovens assassinados pela polícia ou pela omissão do Estado. Dados do Atlas da Violência, do IPEA, apontam que a taxa de homicídio entre os jovens com idade entre 15 a 19 anos é maior que 50%. Entre os jovens de 20 a 24 anos essa taxa é de 49,9%. Ou seja, a juventude brasileira está sendo massacrada. Além disso, o golpe acabou com as políticas públicas essenciais para a prevenção da violência.

É o que denuncia, Jessy Daiane da coordenação do Levante:

“Essas mortes têm lugar, têm território e é na periferia! Por isso hoje a gente veio aqui dizer não a este projeto. Que é um projeto golpista que quer reduzir a maioriade penal e que congela os investimentos em saúde e educação.”


O protesto trancou a avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, em frente à Vara da Infância, por 30 minutos. O tempo simbólico foi uma referência ao fato de que no Brasil mais de 30 mil jovens são assassinados por ano.

Na topo da lista dos municípios mais violentos do Brasil está Altamira, no Pará, com uma taxa de homicídio semelhante a de países em guerra. Esse foi o legado da construção da hidrelétrica de Belo Monte.

A estudante Larissa Santos, que veio de Altamira para participar do Encontro Nacional do MAB, conta que perdeu um companheiro assassinado nessa semana. Somente na última semana, 10 pessoas foram executadas em Altamira, município que conta com cerca de 150 mil habitantes. Para ela, reverter o quadro a favor da vida dos jovens é uma necessidade latente.

“É muito assustador e preocupante. Está mais do que na hora da gente denunciar esse massacre, estão matando a juventude pobre do Brasil. Não podemos nos calar!”, afirma Larissa.

Contra o encarceramento e a retirada de direitos da juventude

A ação também teve como objetivo chamar a atenção da população para se posicionar contra a redução da idade mínima para o encarceramento, que voltou à pauta do Senado Federal na última semana.

Ao mesmo tempo em que aumenta a repressão contra a juventude, o atual governo e o legislativo extinguem os direitos e oportunidades. No último ano, a educação sofreu uma série de ataques por parte do governo federal. Um exemplo é a implantação da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os investimentos em saúde, educação e assistência social. Nesse período também retiraram a exclusividade da exploração do pré-sal pela Petrobras e, com isso, irão reduzir a destinação dos royalties do pré-sal para educação, aprovada em 2013. Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

“A gente quer que as crianças e os jovens tenham direito à educação, cultura e lazer. Nós não queremos a nossa juventude encarcerada! Fizemos 1 minuto de silêncio pela nossa juventude assassinada, mas não vamos mais aceitar este massacre. Se o extermínio continuar, voltaremos para as ruas e lá seremos milhões!” declara Jessy.