Movimentos sociais discutem a política energética da Amazônia

“Trabalhadores do campo e da cidade a lutar/por um projeto energético popular”. Com essas frases repetidas em uníssono pelos participantes, teve início na tarde desta terça-feira, 19, o Seminário Amazônico de Política Energética, realizado pelo Sindicato dos Urbanitários do Pará e pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), com apoio da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU).

Pela manhã, representantes de sindicatos e organizações sociais dos estados do Tocantins, Rondônia, Amapá, Maranhão, Amazonas, Pará e Distrito Federal, participaram da sessão especial na Assembleia Legislativa do Pará que discutiu o aumento de 34,34% na tarifa de energia elétrica. “A participação na Alepa fez parte da programação do Seminário, já que a luta contra o aumento da tarifa de energia elétrica é um dos pontos fundamentais do movimento ligado ao setor energético brasileiro”, destaca Ronaldo Romeiro, presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará.

Na abertura da programação, Rogério Hohn, coordenador do MAB, ressaltou que o seminário é o resultado do debate que vem sendo travado desde 2009 em nível nacional pela Plataforma Operária e Camponesa para a Energia. Os objetivos principais são a articulação dos trabalhadores do campo e da cidade; a reunião das organizações para construir o debate em torno da energia, numa análise coletiva; e apontar ações conjuntas de enfrentamento a privatizações, aumento de tarifa e exploração dos trabalhadores do setor.

A primeira mesa temática do evento discutiu a geopolítica da energia e o papel do Estado e da sociedade na elaboração de uma política energética voltada para o bem comum. Participaram do debate o representante da Venezuela, Gabier Rangel, o presidente da FNU, Franklin Moreira e o representante do MAB, Iury Paulino. O Seminário prossegue nesta quarta-feira, 20, durante todo o dia, no auditório do Sindicato dos Urbanitários.

O Seminário Amazônico faz parte de uma série de debates que estão sendo promovidos em todas as regiões brasileiras. Nos dias 17 e 18 de setembro será realizado um Seminário Nacional onde as propostas retiradas nos eventos regionais serão condensadas num documento que irá balizar todas as ações das organizações. “Serão ações políticas contra as privatizações, as parcerias público-privadas, a perda dos direitos dos trabalhadores, entre outros. Queremos que a água e a energia sejam um bem público, de todos, e não uma mercadoria nas mãos das empresas que hoje ganham muito dinheiro com esses elementos tão fundamentais para a vida”, enfatiza Rogério Hohn.