Mulheres atingidas denunciam alto preço da luz no Pará

As mulheres atingidas por barragens do Pará somaram às milhões de mulheres lutadoras desse país e foram às ruas nesse 8 de Março denunciar o abuso do preço da energia. Elas também denunciam que o modelo energético de nosso país causa graves violações de direitos humanos, sendo as mulheres as mais prejudicadas.

Em Belém, mulheres de Marabá, Altamira, Itaituba eTucuruí se somaram ao ato unitário da Frente Feminista do 8 de Março, que reuniu sindicatos, movimentos sociais, ONGs e partidos políticos de esquerda no centro de Belém. Durante o ato,a brigada de juventude do MAB e o Levante Popular da Juventude colaram cartazes no muro da subestação da Celpa (distribuidora do Pará) para denunciar que o preço da luz é um roubo.

Em Altamira, região impactada pela hidrelétrica de Belo Monte, a ação foi em frente à Celpa. Além do MAB, participaram outras organizações que compõem a Frente Brasil Popular, como o Movimento de Mulheres Campo e Cidade. Após a ação,as manifestantes caminharam até o Ministério Público Estadual, onde os promotores se comprometeram a realizar uma audiência para debater o tema. A ação reuniu cerca de 300 pessoas.

Em Itaituba, na região ameaçada pela construção do Complexo do Tapajós, o protesto também foi na Celpa. A ação somou cerca de 300 mulheres e foi construída por diversas organizações além do MAB, como o Grupo de Apoio à Mulher Itaitubense (Gami), Clube de Mães de Santana e mulheres dos sindicatos de trabalhadores rurais, professores e da saúde. As manifestantes também denunciam a violência contra a mulher na região, um outro problema causado pela chegada de grandes obras como os portos de escoamento de grãos.

Privatizada em 1998, hoje a Celpa pratica a 4ª maior tarifa do Brasil e é campeã de reclamações devido à má qualidade do serviço. Atualmente, é controlada basicamente por bancos e fundos de investimentos (Banco Pactual, Oportunity,Banco Mundial, Squadra investimento), ou seja, o setor rentista que ganha especulando a energia elétrica.

“O custo para produzir energia no Brasil hoje é por volta de R$ 33 o MWh, mas a Celpa cobra dos paraenses uma tarifa de R$ 563,00 MWh. Quem mais se prejudica com isso são as mulheres, que têm mais trabalho para compensar a falta de energia e se sacrificam deixando de colocar comida no prato para pagar a tarifa”, denuncia Daiane Hohn, da coordenação do MAB no Estado.

A ação faz parte da Jornada de Lutas do MAB por ocasião do 14 de Março, dia Internacional de Lutas Contra as Barragens e pelo Direito dos Atingidos, que acontece em todas as regiões do Brasil.