No ES, Seminário debate consequências dos dois anos do crime da Samarco

Encontro denuncia impunidade do crime da Samarco na Bacia do Rio Doce com participação de atingidos, pesquisadores, universidades e movimentos sociais

Fotos: Thaís Henriques dias / ORGANON

Atingidos pela barragem de rejeitos da Samarco (Vale/BHP Billiton), organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participam do Seminário de Balanço de 2 anos do rompimento da barragem de Fundão, na Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes), em Vitória (ES).

A atividade iniciou ontem (06) e encerrará amanhã (08) com audiência pública convocada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, com o tema “Direitos Humanos e Empresas: Qual é a políticas pública que o Brasil precisa?”.

O objetivo do seminário é fazer uma analise crítica do maior crime socioambiental da história da mineração mundial. A programação contempla o ponto de vista dos atingidos e pesquisadores brasileiros, movimentos sociais e autoridades que denunciam a impunidade das mineradoras Vale, Samarco e BHP Biliton, responsáveis pela barragem de Fundão, que rompeu no dia 05 de novembro de 2015.

Cerca de um milhão de pessoas foram atingidas pela avalanche de lama e ficaram sem água, perderam seu lazer, além de ficar sem trabalho. Centenas de pescadores, principalmente no Espírito Santo, estão passando por dificuldades financeiras.

A Fundação Renova, criada pela BHP Billiton e Vale Mineração S.A, atua para não efetivar os direitos dos atingidos. A realidade mostra que ela é um instrumento para atrasar os processos de reparação e criar uma farsa chamada “Diálogo Social”, a multiplicação de reuniões que nada resolvem simulando uma suposta participação dos atingidos.

“Já estamos há dois anos com a lama no nosso rio e estamos sem perspectiva, pois a Samarco, por meio da Fundação Renova, está negando os direitos dos atingidos que estão sobrevivendo com ajuda de familiares”, comenta Regiane Lourdes, militante do MAB e moradora da comunidade de Mascarenhas, em Baixo Guandu (ES).

Neste contexto de injustiça, o MAB amplia sua presença e o esforço é permanente de levar informação e organizar as comunidades atingidas ao longo da Bacia do Rio Doce. Joceli Andrioli, da coordenação nacional do MAB, relata a nitidez na lentidão da Fundação Renova em resolver as questões sociais e ambientais após dois anos do rompimento da barragem.

“É notória a lentidão do processo de reparação dos direitos das populações atingidas. Dois anos se passou e ainda não temos uma área tijolo erguido para construção das comunidades que foram devastadas pela lama e o não reconhecimento de muitas famílias e comunidades como atingidas”, comenta Andrioli.