No interior de SP, manifestantes escracham Complexo Mineroquímico da Vale

Nesta segunda-feira (14), Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, movimentos populares escracharam o Complexo Mineroquímico da Vale Fertilizantes, em Cajati (SP). No ato, aproximadamente 800 pessoas protestaram contra os projetos de mineração na região do Vale do Ribeira (SP) e denunciaram a responsabilidade da empresa na morte de 19 pessoas em Mariana (MG).

A entrada da empresa foi bloqueada e, enquanto entoadas palavras de ordem, frases foram pintadas na entrada do edifício: “Vale Criminosa”; Vale Assassina” e “Vale Nada”.

“O Vale do Ribeira possui perto de 300 pedidos de lavras de mineração no Departamento Nacional de Produção Mineral. Querem fazer buraco em todo o Vale do Ribeira, querem construir barragem em todo lado”, denunciou o militante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Ubiratã de Souza.

Outros protestos contra a Vale já haviam sido realizados na semana passada, durante a Jornada de Luta do Dia Internacional da Mulher. Em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, centenas de mulheres escracharam os escritórios da empresa no dia 8 de março, com vários litros de lama derramados nas faxadas dos edifícios. Já cidade de Belo Oriente (MG), os trilhos da estrada de ferro da Vale ficaram inutilizados por mais de 30 horas, devido a ocupação dos atingidos pela lama da Samarco (Vale/BHP Billiton).

O protesto foi organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB), Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente a Mineração (MAM) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de contar com o apoio do Levante Popular da Juventude e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Pedágio liberado

No período da manhã, os manifestantes já haviam liberado as cancelas de um pedágio no município de Cajati, na Rodovia Régis Bittencourt (BR – 116), que liga a região sudeste e sul do país. O principal objetivo da ação foi protestar contra a construção de barragens na região, alertar sobre os perigos da mineração e denunciar a lentidão nos processos de regularização fundiária no Vale do Ribeira.