No Rio de Janeiro, atingidas devolvem lama à Vale

No dia internacional da mulher, cerca de 400 manifestantes protestaram na sede da Vale, para denunciar a responsabilidade da mineradora na tragédia ocorrida em Mariana (MG).


“Não é inocente: a Vale mata rio, mata bicho e mata gente”, entoaram ao som de funk a batucada comandada pelo Levante Popular da Juventude. No bairro do Leblon, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, aproximadamente 400 mulheres e homens protestaram, nesta terça-feira (8), em frente à sede da Vale, uma das mineradoras responsáveis pelo maior desastre ambiental da história do Brasil.

“Nós estamos realizando uma jornada nacional de lutas para denunciar que a Samarco, Vale e BHP Billiton são as responsáveis pelo assassinato de 19 pessoas em Bento Rodrigues e por toda a destruição decorrente da lama que se espalhou pela bacia do rio Doce”, afirmou o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Minas Gerais, Thiago Alves.

Ao chegarem a frente ao edifício, sem identificação, que abriga uma das maiores empresas de mineração do mundo, as manifestantes despejaram dezenas de litros de lama retirada do rio Doce. “Se a Vale tentou se esconder nesse bairro nobre do Rio de Janeiro, ela fracassou. Viemos aqui na frente dessa empresa criminosa para cobrar os nossos 19 mortos, assassinados pela Vale”, explicou a militante do Levante Popular da Juventude, Luma Vitório.

Apesar de já terem se passado mais de 120 dias do rompimento da barragem do Fundão, milhares de atingidos ainda não receberam uma assistência adequada da Samarco (Vale/BHP Billiton), como é o caso de Vilma, moradora de Ponte Nova (MG). "Estamos aqui para denunciar o que a Samarco fez com a gente: destruiu todo o nosso rio. E o nosso rio era o nosso meio de sobrevivência", lamentou-se Vilma.

O sociólogo e cientista político, Emir Sader, também compareceu ao ato para prestar solidariedade às pessoas atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão. “Estamos escandalizados com o silêncio da imprensa com o que aconteceu em Mariana, que é o maior escândalo ecológico da história do Brasil, promovido pela empresa que exacerbava que o modelo de privatização seria a solução ao país”, opinou.  

Junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens e Levante Popular da Juventude, somaram-se à atividade o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Além desse ato, atingidas por barragens participam de manifestações em outros estados. Nesse Dia Internacional de Luta das Mulheres, as mulheres atingidas reivindicam a redução das tarifas de energia elétrica e a instauração de uma Política Nacional de Direitos para as Populações Atingidas por Barragens.