No RJ, manifestantes denunciam os crimes da Vale

Na manhã deste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e de outros movimentos e organizações sociais cariocas fazem um ato em frente à sede da empresa Vale, na Rua Almirante Guilhem, 378, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Nos somamos às milhares de trabalhadoras brasileiras que hoje estão em luta e viemos na porta do prédio da Vale denunciá-la pelo crime que cometeu em Mariana, em 2015. Já se passou um ano e quatro meses e, ao invés de ser punida, a Vale é a juíza do caso. É certo o criminoso julgar suas vítimas?”, questiona Letícia Oliveira, do Movimento dos Atingidos por Barragens.

Em 5 de novembro de 2015, toda a lama acumulada na barragem de Fundão se espalhou pela bacia do rio Doce, causando 19 mortes, um aborto forçado e destruição de mais de 600 Km do rio Doce. “A Vale, que já foi um orgulho para o povo brasileiro, hoje é motivo de vergonha, e demonstra a irresponsabilidade das empresas privadas na gestão do bem comum. O crime da Vale em Mariana é um exemplo emblemático do fracasso da política de privatização!”, concluiu Letícia.

Há exatamente um ano, cerca de 400 pessoas fizeram um protesto também em frente ao prédio da Vale: “No dia 8 de março de 2016 viemos devolver a lama à Vale, hoje estamos novamente aqui pra dizer que não esqueceremos esse crime e que os trabalhadores e, principalmente as trabalhadoras, não pagarão a conta da Reforma da Previdência”, afirmou a militante do Levante Popular da Juventude, Allanis Pedrosa.

Contra o desmonte da previdência

Com o ato, as manifestantes também denunciam o calote de R$ 276 milhões da Vale sobre Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Enquanto propõe que o povo brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social proposta pelo governo Temer ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. 

Além de denunciar o calote, os manifestantes criticam a proposta do governo Temer para a previdência que aumenta a idade mínima para se aposentar, entre 65 e 70 anos, e sobrecarrega os camponeses. Além de ter que pagar uma taxa, eles serão submetidos aos mesmos critérios dos trabalhadores urbanos para se aposentar.

 

“Estamos em luta em todo o país, atingidas por barragens e trabalhadoras dos mais diversos movimentos sociais e organizações populares para dizer que não ficaremos caladas, pois somos nós mulheres, que mais sofreremos com essa reforma, cujo principal objetivo é privatizar a previdência e subjugar os trabalhadores e trabalhadoras ao capital financeiro”, argumenta Diene Cardoso, militante do MAB.