Nota de apoio às famílias do acampamento Hugo Chávez do MST (PA)

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem a público prestar solidariedade aos companheiros do MST, que neste dia 13 de dezembro (quarta-feira), tem marcada mais um despejo, dessa vez no acampamento Hugo Chávez, em meio a uma série de reintegrações de posse que vem ocorrendo no Sul e Sudeste do Pará.

A região em especifico possui um histórico sangrento de conflitos agrários e luta por direitos. Estes conflitos estão cada vez mais acirrados conforme o conservadorismo vem tomando cada vez mais espaço.

Plantação destruída no acampamento Hugo Chávez após um dos ataques sofridos, em agosto deste ano

O judiciário demonstra escancaradamente que trabalha a serviço do latifúndio. No Sul e Sudeste do Pará são 20 áreas reivindicadas para a reforma agrária que podem receber reintegração de posse durante o natal. São aproximadamente 8 mil pessoas correndo risco de saírem de suas casas. Em algumas delas, como o acampamento Helenira Resende, em Marabá, as famílias já foram despejadas.

Nesta segunda-feira (11 de dezembro), o acampamento Hugo Chávez foi atacado mais uma vez por pistoleiros, que dispararam balas de fogo contra homens, mulheres, crianças e idosos. As famílias já estavam se organizando para sair da área e mesmo assim foram atacadas, numa clara demonstração de ameaça e intimidação. O acampamento é constantemente atacado e estes atos já foram denunciados por diversos movimentos e professores da UNIFESSPA.

A situação é reconhecida como de extremo risco, mas até agora nenhuma providência foi tomada por parte do Estado. Enquanto isso, um grupo de latifundiários chegou até a postar vídeo nas redes sociais e, sem nenhuma preocupação em esconderem suas identidades, afirmam que “se o Estado não tem condição de proteger a propriedade privada, nós estamos unidos e vamos fazer a nossa parte”, num claro tom de ameaça.

Acampamento Hugo Chávez

Neste sentido, exigimos providências do Estado na defesa dos direitos humanos e manifestamos total apoio às famílias e ao MST, que mais uma vez vem sendo criminalizado em sua justa tentativa de garantir o acesso à terra. Não permitiremos mais um Eldorado dos Carajás. Não nos silenciaremos!

Nenhum passo atrás!

Marabá, Pará, 13/12/2017

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