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Operação Parasitas

Por Antônio Claret Fernandes, militante do MAB e padre da Arquidiocese de Marina

A Polícia deflagra, nesta manhã, a Operação Parasitas. Há viaturas em diversas regiões do país, especialmente nas capitais. Até onde se sabe, o alvo principal são os banqueiros e os donos de grandes empresas de comunicação, mas estão incluídos, também, alguns empresários do setor de produção ligados ao Agronegócio, Mineração e Energia. E ainda todo o alto escalão do ‘antigo’ Estado burguês. Entre os mais de cem mandatos expedidos pelo Juiz da 1ª vara revolucionária, Dr. Opção de Classe, ao menos seis são de condução coercitiva.

Nesse exato momento, está sendo preso, em sua casa, o proprietário da Central Bobo de Manipulação - CBM. E informações extraoficiais dão conta de que o Diretor-presidente de importante banco, com sede em Bilbao, Espanha, e com filial no Brasil, já estaria na delegacia tentando dar explicações. Todos eles, membros da mais consolidada máfia de que a humanidade tem notícia, são acusados de se apropriarem de trabalho alheio e o montante soma toda a riqueza do mundo surrupiada da classe trabalhadora.

O termo parasita, que dá nome à mega Operação em curso, vem do latim parasitus que, por sua vez, deriva do grego parásitos e significa ‘aquele que come na mesa de outrem’.

Em Nota, o juiz O. C. informa que as investigações perpassaram gerações, desde quando surgem fortes indícios de que o Patrão se enrica a custa do empregado e de que o Estado burguês, todo ele, é sustentado pelo povo.  São muitas as evidências. Uma delas é que, no em torno de cada empresa ‘bem sucedida’, crescem os bolsões de miséria.

Karl, nascido em 5 de maio de 1818, na Prússia,  e falecido em 14 de março de 1883, em Londres, com 64 anos, foi um dos principais expoentes de todo o processo investigativo, na visão de O. C., pois, em minucioso estudo, estabelece a base para muito do entendimento atual sobre o trabalho e sua relação com o capital, e descobre toda a farsa.

Os capitalistas e seus ideólogos, das mais diferentes siglas e correntes, tanto políticas quanto econômicas, afirmam, de pés juntos, que sua riqueza brota de seu espírito empreendedor, por habilidade, e do Mercado, por uma espécie de milagre. Karl, porém, também conhecido por Marx, desbanca, em seus estudos, a tese deles, descobrindo que o lucro vem da exploração do trabalho, no momento da produção da mercadoria.

O que parecia habilidade e milagre, então, toma conotação de crime.

O esquema, bem engendrado, funciona assim. O capitalista se apropria dos meios de produção. Pode ser a terra, a água, a máquina, a energia. Ele, o Patrão, organiza o negócio fraudulento. O trabalhador entra com sua Força de Trabalho por um salário sempre inferior ao que, efetivamente, produz. Um operário da Samarco (Vale/BHP Billiton), a título de exemplo, rende R$ 900.000,00/ano para a empresa, valor infinitamente acima do que ele ganha. A diferença entre o que ele produz e o que ele recebe, apelidada por Karl de mais-valia, fica no cofre do Patrão e é fator preponderante na acumulação de capital.  Quando esse esquema se associa à base social e natural vantajosas, o caso do Brasil, o crime cresce enormemente, com lucros extraordinários.

Esse lucro, resultante do trabalho não pago, sem ficar um centavo em investimento no país surrupiado, é enviado em remessas a comparsas de diferentes partes do mundo, que olham para o mercado global e aplicam verdadeiras fortunas onde os juros sejam mais atraentes, como se dinheiro gerasse dinheiro, cometendo crime sobre crime.

A descoberta de Karl foi decisiva para a tomada de decisão do Juiz O.C., enquadrando os farsantes na lei de Responsabilidade Social, a qual proíbe qualquer tipo de apropriação de trabalho alheio, coisa tida como natural na ‘antiga’ sociedade de classes.

No Caput dos mandatos, duas frases chamam a atenção: senhores, patrões, chefes supremos, nada esperamos de nenhum’ e ‘se alguém não quiser trabalhar, também não coma’.

A Operação batizada de Parasitas vem a calhar. É que, em biologia, ‘parasita’ designa organismos que se associam com outros dos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro, processo conhecido como parasitismo. Essa associação pode tornar-se tão íntima que, a olho nu, parasita e hospedeiro se mostrem um único organismo. Impossível identificar e separar um do outro apenas com o bisturi da ética e do combate à corrupção. Mas nenhum parasita escapa à consciência de classe.

O efeito de um parasita em um hospedeiro pode ser mínimo, sem lhe afetar as funções vitais: o piolho, por exemplo, ou as antigas fazendas comuns no interior de Minas Gerais, de cujo feudo o camponês se tornava refém, porém, em geral, não morria de fome. Mas o parasita pode, também, causar a morte do hospedeiro: é o caso de diversos vírus patogênicos e do capitalismo. Quando isso ocorre, em geral o parasita morre junto com o hospedeiro, mas, em muitos casos, o parasita pode ter-se reproduzido e espalhado seus descendentes, que já podem ter infestado outros hospedeiros, garantindo, assim, a perpetuação da espécie.

Quanto à sua classificação, os parasitas se dividem em ectoparasitas – atacam a parte exterior do corpo do hospedeiro, endoparasitas – vivem no interior do corpo do hospedeiro e hemoparasitas – vivem na corrente sanguínea. O parasitismo capitalista, ao contrário dos demais, enquadra-se nos três ao mesmo tempo: esgota, fisicamente, o trabalhador; encontra-se, enquanto ideologia, no interior no corpo da classe trabalhadora; e corre em sua veia, junto com seu sangue, por isso seu caráter letal.