Pará: Seminário aponta importância de defender a Petrobrás

Aconteceu nessa sexta-feira (11 de março) o seminário estadual Energia, Educação e Indústria no Brasil em Belém (PA). A atividade foi construída pela Plataforma Operária e Camponesa da Energia como parte da Jornada Nacional de Lutas dos atingidos por barragens e trabalhadores do setor da energia.

Na parte da manhã, integrantes das organizações que constroem a Plataforma trouxeram um panorama da ofensiva neoliberal nos setores da eletricidade, petróleo e educação. Os debates apontaram a centralidade de defender a Petrobrás e os recursos do pré-sal para a saúde e educação.

Daiane, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e Bianor, da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), falaram sobre os problemas causados pela privatização ocorrida nos anos 90 no setor elétrico. De acordo com Bianor, “a privatização veio com a promessa de baratear o MW, mas trouxe uma grande precarização para o setor, causou demissões e aumentou a tarifa”.

Daiane do MAB fez um alerta: “Estamos trazendo o exemplo do que aconteceu no setor elétrico porque é o mesmo cenário que vai se repetir com o petróleo se avançar para privatização da Petrobrás”.

Cloviomar, assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) fez um percorrido sobre as mudanças no modelo de extração do petróleo no Brasil e destacou os avanços com a lei da partilha de 2010, que garantiu recursos para educação e saúde e o desenvolvimento da indústria nacional. Esses avanços correm riscos de se perderem com a Lei 131 de José Serra (PSDB), aprovada pelo Senado e que tende a ficar ainda pior ao passar pela Câmara. “Estamos em vias de perder a Petrobrás e todo um projeto que caminha para a soberania nacional.”

Ádima, do Sindicato dos Professores, falou dos ataques aos trabalhadores da educação. De acordo com ela, todas as conquistas obtidas a partir de 2003, como o piso nacional, a criação do Fundeb e o plano nacional de educação, estão ameaçados pela recessão econômica mas, acima de tudo, pela lógica neoliberal que vê a educação como gasto e não como investimento. Sobre a importância da lei da partilha, afirmou: “O controle dos recursos do pré-sal pela população é imprescindível para erradicar o analfabetismo no país.”

Na parte da tarde, Iury, do MAB, fez análise da conjuntura e apontou os desafios para as organizações da classe trabalhadora.  Os participantes do seminário destacaram a importância central de construir a unidade entre as organizações e ir para a rua para barrar os ataques contra os trabalhadores nesse momento de ofensiva política. “Na atual conjuntura, não há defesa virtual do nosso projeto, temos que ir para a rua”, pontuou Daniel da FUP.

"A definição de fazer seminários estaduais surgiu do seminário nacional construído pela Plataforma, realizado em agosto do ano passado. No próximo periodo, a responsabilidade das organizações é enraizar os debates nas escolas e nos bairros", disse Iury.