Reassentamento de atingidos completa 25 anos com festa

Moradores do reassentamento Itá I, localizado em Mangueirinha (PR), realizaram diversas atividades em comemoração à data simbólica  

Neste domingo (5), centenas de pessoas participaram de um ato comemorativo pelos 25 anos da criação do reassentamento Itá I, localizado no município de Manguerinha no Paraná. A comunidade foi criada para abrigar os atingidos da Usina Hidrelétrica Itá, idealizada ainda sob o regime militar.

A partir da década de 1980, a notícia da construção de uma barragem no rio Uruguai, que percorre quase a totalidade dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, gerou inúmeros mudanças para a população local.

Pela necessidade de lutar por seus direitos, agricultores atingidos pela hidrelétrica criaram a Comissão Regional dos Atingidos por Barragens, que foi um dos embriões do que viria a se chamar Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Há três décadas, em 1987, os atingidos fizeram um acordo com a Eletrosul (responsável pela hidrelétrica), que proporcionou o reassentamento que abriga atualmente mais de duas mil famílias.

O atingido Miguel Schiavini, de 74 anos, relembra como foi o processo para a conquista do reassentamento. “Em 1981, o movimento dos atingidos começa a ganhar força, no entanto, políticos e prefeitura defendiam os interesses da empresa e acabaram dividindo o movimento, que perdeu força neste momento. Mas não desistimos da luta, acreditamos que só através da organização iriamos alcançar o que o povo precisava. O que me marcou de bom na luta foi a amizade que construí nos 3 estados e o processo mais dificultoso foi a adaptação ao novo lugar, a cidade não aceitava nós, que éramos reassentados. Reafirmo que sem a organização dos atingidos não teríamos o reassentamento hoje e nas condições boas que estamos vivendo”.

No mesmo sentido, o atingido Altir Luiz Endres, de 56 anos, relembra como foi o início da organização. “Primeiro conquistamos os arrendatários, ajudamos eles compreenderem que pela empresa só o patrão seria indenizado e eles não teriam nada. A partir de então, o movimento se fortaleceu de vez. Sofri muito, meu próprio pai não me apoiava, não acreditava na luta que eu fazia em conjunto com os companheiros e companheiras. O que mais marcou de bom na sua vida depois da luta e da conquista foi quem não tinha terra, conseguir terra. De 48 famílias, 45 eram arrendatárias. E o que mais sofreu também foi a discriminação que tiveram no início do reassentamento, os bancos só liberando crédito para os latifundiários e para os pequenos nada, até foi por isso que acampamos na frente do banco um período”.