As ruas já declararam sua sentença!

Se de um lado a sentença dos desembargadores em Porto Alegre está recheada de opiniões políticas, milhares de pessoas também já demonstraram seu voto favorável à democracia e à possibilidade de Lula ser candidato à presidência

Foto: Mídia Ninja

"Qualquer que seja o resultado, eu continuarei lutando para que as pessoas tenham respeito e dignidade”, Luiz Inácio Lula da Silva já previa o resultado do julgamento do recurso de sua defesa apresentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) um dia após a aparição do ex-presidente em Porto Alegre (RS), nesta quarta-feira (24).

Os desembargadores João Pedro Gebran e Leandro Paulsen seguiram o roteiro de uma sentença pré-anunciada e condenaram não apenas Lula sem uma prova sequer, mas incriminaram e desmoralizaram completamente a idoneidade do Judiciário brasileiro. Ainda falta Vitor Luiz dos Santos Laus, que provavelmente seguirá pelo mesmo caminho.

Entretanto, as mais de 70 mil pessoas presentes na capital gaúcha mostraram que, se o Judiciário se transformou em palanque político, as ruas continuam como a principal trincheira do povo e da classe trabalhadora. Mais do que isso, provaram que se a sentença proferida contra Lula se baseia em opiniões políticas, sem provas concretas, as ruas também já declararam seus votos.

“Nós achamos que Lula é inocente, por isso nós não temos plano B. Ter plano B quando se trata de um inocente é covardia e se tem uma coisa que nós não somos é covarde”, afirmou a presidente legitimamente eleita Dilma Rousseff, em consonância com os milhares presentes no ato em defesa da democracia.

Mas não foi apenas o Rio Grande do Sul que recebeu atos favoráveis à democracia e a possibilidade de Lula se candidatar à presidência. Praticamente em todos os Estados houve vigílias, atos e marchas contrários às arbitrariedades do Judiciário.

Militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se somaram no Paraná, Rondônia, Goiás, Bahia, Ceará, Paraíba, Minas Gerais, Piauí e em São Paulo nas mobilizações.

Em SP, atingidos participaram do ato que se concentrou na Praça da República. Os manifestantes ouviram o discurso do ex-presidente e seguiram em marcha até a Av. Paulista em resposta às comemorações da direita.

“O que está ocorrendo é mais um episódio que começou com o impeachment da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff. O Judiciário escancarou neste histórico dia 24 de janeiro sua faceta promíscua, mas as ruas continuarão sua marcha em defesa da democracia”, afirma Gilberto Cervinski, integrante da coordenação nacional do MAB.