União Europeia e Christian Aid conhecem trabalho do MAB no Tapajós

Representantes da União Europeia e da entidade de cooperação Christian Aid estiveram na semana passada em Itaituba (PA) para conhecer de perto o trabalho que o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) tem feito na região do Tapajós. As entidades apoiam o trabalho do Movimento no local através do projeto “Direitos das Mulheres Atingidas por Barragens”.

Asier Santillan Lueuriaga, da União Europeia, e Sarah de Roure, da Christian Aid, se reuniram com a militância do MAB na região, visitaram a comunidade Pimental, ameaçada pela construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, e a aldeia Praia do Índio, na área urbana de Itaituba. Também participaram de reunião com mulheres de entidades parceiras do Movimento, como o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, o Grupo de Apoio à Mulher Itaitubense, Sindicato dos Professores e Rotary.

Na visita, eles puderam ver no que o projeto financiado pela UE tem contribuído para fortalecer as mulheres na região. O Movimento realizou oficinas nas comunidades para discutir os direitos das mulheres através da confecção das arpilleras, o que tem se mostrado uma técnica de sucesso para debater esse tema. Através das arpilleras, as mulheres têm conseguido expressar as violações de direitos nas comunidades ameaçadas e impactadas por grandes projetos, como hidrelétricas, rodovia e portos de escoamento de grãos.

No Pimental, que sofre com a presença das empresas interessadas em construir a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, o projeto tem contribuído para diminuir o conflito interno na comunidade.  “Com as oficinas, as mulheres passaram a sentar para discutir os problemas. Antes a comunidade estava muito dividida, mas agora mesmo quem estava a favor da barragem no começo está se preocupando, querendo saber o que vai acontecer”, disse Heidy Lima, uma das moradoras do Pimental e militante do MAB.

Entre os índios Munduruku, as mulheres também têm se fortalecido no último período, ocupando posições antes restritas aos homens. Hoje há cacicas, guerreiras e agentes de saúde indígena. O projeto, realizado com mulheres das aldeias do Mangue e Praia do Índio, também ajudou nesse processo. “Quando veio a oficina para cá, nós vimos que as mulheres entenderam tão bem que conseguiram passar o que estavam sentindo. Muitas mulheres aqui não falam e com a arpilleras foi bom porque era outra maneira de se expressar, então esse trabalho do MAB foi muito importante para nós”, afirmou Edilene, agente de saúde indígena da aldeia Praia do Índio.

Na reunião entre as mulheres de entidades, ficou clara a necessidade de construir uma agenda comum para dar sequência à pauta de reivindicações das mulheres. Uma conquista desse processo de articulação foi a reabertura da delegacia da mulher, porém ainda há muitas pautas que precisam avançar.

“Além da dimensão econômica e política, o projeto também tem uma dimensão pessoal, ao criar espaços de conversa entre as mulheres, onde elas podem identificar a partir da sua vivência como as barragens afetam a comunidade, além de fortalecer a participação política das mulheres. Isso só mostra para nós da Christian Aid a importância desse trabalho conjunto com o MAB”, afirmou Sarah de Roure.

“O que mais gostei foi de ver os resultados concretos com as diferentes organizações de mulheres. Elas estão muito mais fortes, empoderadas, com maior percepção do que está acontecendo na região”, afirmou Asier Santillan Lueuriaga.