Aí vem mais um aumento na conta de luz

No próximo período sentiremos mais aumentos na conta de energia elétrica em virtude da ganância dos especuladores financeiros que controlam o setor elétrico no nosso país.

Apontamos pelo menos dois aumentos. O primeiro está relacionado ao aumento do “preço teto” nos leilões. As empresas do setor buscam aumentar o valor dos megawatts (MWh) nos leilões de energia para obter mais lucros. No Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (ENASE), que aconteceu no final do mês de maio de 2016, esse foi um ponto sugerido para o novo ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho.

Isso significa que os leilões das próximas usinas terão valor mais elevado e que nós consumidores pagaremos por isso. Para termos um exemplo, a usina de Belo Monte em 2010, quando foi leiloada teve seu valor estabelecido em R$ 78,00 MW/h. Em setembro de 2016, no leilão para pequenas usinas hidrelétricas (PCHs) o valor estipulado foi de R$ 230,00 MW/h e ainda estava muito abaixo do esperado pelos capitalistas do setor.

O segundo aumento denominado “aumento extraordinário” já está com data marcada, 1º de julho de 2017, se refere ao pagamento de indenização para as empresas que atuam no ramo da transmissão de energia elétrica e que fizerem investimentos antes dos anos 2000. Em 2012 as empresas renovaram por mais 30 anos a concessão de transmissão e receberiam R$ 30 bilhões pela amortização dos investimentos. Todavia, agora a ANEEL refez os cálculos e está dizendo que o total a ser pago deve ser de R$ 65 bilhões para as empresas. Esse montante será cobrado na conta de cada consumidor aumentando em média 5% a tarifa.

Acrescentando a este calculo teremos também o reajuste anual que deve ser de 7,5% pelas distribuidoras. Ou seja, no próximo ano teremos um aumento médio de 12,05% na conta de energia. Para darmos um exemplo, uma residência de quatro pessoas, com consumo de 160 kwh, aumentará sua conta de R$ 150,00 para R$ 162,50.

O capital especulativo rentista faturará em cima de cada trabalhador, em especial, sobre as mulheres que cuidam da economia da casa. É o equivalente ao valor de um pacote de arroz de 5 kg por família que vai para o bolso dos capitalistas.

A privatização do setor elétrico continuará

No segundo semestre de 2016, tivemos a venda da distribuidora Celg no estado do Goiás para um grupo italiano, Anel. Mas a entrega do patrimônio público não para por aí. Além dessa distribuidora de energia, estão no pacote a privatização de outras seis distribuidoras na região norte e nordeste: Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Eletroacre (Acre), Ceron (Rondônia), Boa Vista Energia (Roraima) e Amazonas Energia (Amazonas). O atual ministro de Minas e Energia afirmou agora no início de janeiro que a venda das distribuidoras da Eletrobrás continua a todo vapor e que as privatizações têm que ser feitas até o fim do ano.  Resultado: nesses estados haverá mais aumento nas contas de energia elétrica.