Guerra no Xingu

Autor: 
Vicente Zambello
Padre em Vitória do Xingu, no Pará

Todos os dias, pontual como o amanhecer

Ouço os estrondos das bombas lançadas no rio Xingu

Tranquilo, inerme, desarmado...

As águas se agitam, ficam furiosas

Parece uma tempestade - um banzeiro provocado

Pela violência humana a destruir

A sua vida guardada desde a Criação

Com os povos indígenas da região

 

.....até ao fim do dia, quando, mais uma vez

a bomba estronda

na barragem de Belo Monte:

a natureza fica mortalmente ferida,

o povo fica estarrecido

na espera de mais uma violência a subir,

sem defesa, até o dia mortal

quando a Amazônia acabar....

 

Todo mundo sabe desta tragédia anunciada:

só os políticos não querem falar

por medo de perder votos

na próxima eleição

com hipocrisia e corrupção  a ganhar

 

E’ guerra no Xingu vivo

Moribundo pela ganância humana

em nome do progresso sem fim

pelo poder truculento do governo

que sabe tudo

mas não faz nada para a paz acontecer

na pátria amada

em berços esplendidos deitada.

 

Acordem povos indígenas, pescadores, ribeirinhos!

Povo consciente:

Repudiemos tamanha violência consumada;

Não deixemos as bombas estourar:

A guerra deve acabar

Antes que a Amazônia acabe morta

Num deserto sem vida a sangrar...