Via Campesina promete mais pressão ao governo, pela reforma agrária

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 Após o anúncio das medidas que serão adotadas pelo governo na retomada do processo de reforma agrária, os movimentos que compõem a Via Campesina estão se organizando para fazer mais pressão. De imediato, o governo vai liberar R$ 400 milhões para a aquisição de terras destinadas a novos assentamentos. Outros R$ 450 milhões serão investidos em agroindústrias nas pequenas propriedades. 

Para o integrante da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina, Gilberto Cervinski, a Jornada Nacional de Lutas – realizada entre os dias 17 e 26 de agosto – recolocou a reforma agrária na pauta do governo.

 “Hoje se paga R$ 2 bilhões em juros por dia com a dívida pública, mas não tem dinheiro para fazer reforma agrária, para aplicar na saúde e educação. Isso só se reverte com mobilização popular, independente de quem for o governo.

Os pequenos agricultores que possuem dívidas de até R$ 20 mil poderão fazer refinanciamento a juros de 2% ao ano. Junto, eles devem cerca de R$ 30 bilhões. Cervinski acredita que a autonomia na produção de alimentos no Brasil só será alcançada quando for dada prioridade aos pequenos produtores.

“O agronegócio representa veneno, motosserras, a violência no campo, a pobreza e a concentração de terras. Agora, a pequena agricultura, a agricultura camponesa, representa a produção de alimentos para o povo brasileiro. 70% dos alimentos vêm da agricultura camponesa e no capo deve ser esta a prioridade.”

Até o dia 10 de setembro, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) deverá apresentar um plano emergencial de assentamento. Segundo informações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelo menos 200 mil famílias estão acampadas atualmente. A Jornada reuniu quatro mil manifestantes em Brasília e um total de 50 mil pessoas em todo o país.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

29/08/11